A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 105 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— Eu fico com ele! — gritou Tricks Postino

zelosamente. — Me abra espaço, Dario! — E antes que o homem chamado Dario pudesse lhe dar mais espaço ou

qualquer outra coisa, Tricks abriu fogo com A Maravilhosa

Máquina de Rambo. O pesado estrondo da metralhadora encheu a sala de Balazar. O primeiro resultado dessa

barragem foi que ela salvou a vida de Eddie Dean. Dario

tinha feito pontaria com a pistola, mas antes que pudesse puxar o gatilho duplo da arma, Tricks cortou-o pelo meio.

— Pare com isso, seu idiota!— gritava Balazar. Mas Tricks nem ouvia, nem parava, nem queria parar. Os

lábios se contorceram deixando os dentes, cheios de saliva,

brilhando num enorme sorriso de tubarão. Os tiros varreram a sala

de uma ponta à outra, reduzindo duas seções da parede a pó, transformando fotos emolduradas em nuvens de cacos de vidro,

arrancando a porta do banheiro das dobradiças. O vidro fume do

boxe de Balazar explodiu. O troféu Os Melhores da Noite que Balazar ganhara no ano anterior soou como um sino quando

uma bala passou por ele.

Nos filmes, as pessoas realmente se matam com armas leves

de fogo rápido. Na vida real, isso raramente acontece. Quando

acontece é com as primeiras quatro ou cinco balas disparadas

(como o infeliz Dario poderia ter comprovado, se tivesse continuado capaz de comprovar alguma coisa). Depois das

primeiras quatro ou cinco balas, duas coisas acontecem a um

homem — mesmo a um homem bastante forte — tentando controlar seu equipamento. A boca da arma começa a se levantar e

o atirador começa a se desviar para a direita ou para a esquerda, dependendo do infeliz ombro que resolveu presentear com o coice

da arma. Em suma, só um débil mental ou astro do cinema tentaria

usar uma arma dessa forma; seria como tentar matar alguém com uma britadeira.

Por um momento, Eddie ficou incapaz de qualquer reação mais

construtiva do que contemplar aquele perfeito prodígio de estupidez. Então viu outros homens se amontoando na porta

atrás de Tricks e apontou o revólver de Roland.

— Peguei ele! — gritava Tricks com a histeria exultante de

alguém que vira filmes demais para conseguir distinguir entre o

que o roteiro em sua cabeça dizia que devia estar acontecendo e o

que estava de fato acontecendo. — Peguei! Eu peguei ele! Pe...