A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
George Biondi também tinha algo de que…
George Biondi também tinha algo de que não estava gostando. E também
não sabia qual poderia ser a reação de Eddie Dean àquilo.
George não tinha dúvidas de que, em algum momento depois de
Cimi entrar na sala do contador e diminuir as luzes, Henry havia morrido.
Morrido em paz, sem barulho, sem alvoroço, sem preocupar ninguém.
Simplesmente flutuara para outro lugar como uma semente levada pela
brisa. George achava que aquilo podia ter acontecido mais ou menos quan-
do Cláudio foi até a cozinha para tirar a merda da mão.
— Henry? — murmurou George no ouvido dele. Pôs a boca tão
perto que era como beijar o ouvido de uma garota num cinema, o que
sugeria uma coisa tremendamente obscena, em especial se considerarmos
que o sujeito estava provavelmente morto — parecia narcofobia ou o que
seja —, mas George tinha de saber e a parede entre aquela sala e a de
Balazar era fina.
— Algum problema, George? — perguntou Tricks Postino.
— Cale a boca — disse Cimi. O tom foi como o ronco baixo de um
caminhão em marcha lenta.
Os dois se calaram.
George enfiou a mão pela camisa de Henry. Oh, aquilo estava fi-
cando cada vez pior. A imagem de estar com uma garota num cinema
não saía da sua cabeça. Agora estava lá, sentindo o corpo dela, só que
não era ela mas ele, isso não era apenas narcofobia, era narcofobia ho-
mossexual, e o peito magricela de viciado de Henry não estava se moven-
do para cima e para baixo e não havia nada dentro dele fazendo tum-
tum-tum. Para Henry Dean tudo estava acabado, para Henry Dean o
último tempo do jogo terminara. Não havia nada batendo além do seu
relógio.
George se moveu para a pungente atmosfera de velha Sicília de alho
e azeite de oliva que cercava Cimi Dretto.
— Acho que podemos ter um problema — sussurrou.