A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Viver... — diz Roland. O tom…
— Viver... — diz Roland. O tom de guincho volta a se transformar
num sussurro. Os anzóis estão voltando à sua garganta.
— E não vai? — Eddie o olha, depois abana a cabeça e responde à
sua própria pergunta. — Claro que vai. Acho que foi o que pretendeu
dizer. Cheguei a pensar que estava morrendo e a certa altura cheguei a
pensar que já tinha morrido. Agora parece que vai melhorar. O
antibiótico está ajudando, eu sei, mas penso que, no fundo, é você quem está
curando
a si mesmo. Mas pra quê? Por que merda você continua insistindo tanto
em se manter vivo nesta praia horrível?
A Torre, dizem os lábios do pistoleiro, porque agora ele não consegue
sequer soltar um chiado.
— Você e a porra da sua Torre — diz Eddie, começando a se afastar
e depois se virando, surpreso, quando a mão de Roland agarra seu braço
como uma algema.
Um olha nos olhos do outro.
— Tudo bem — diz Eddie. — Tudo beml
Norte, os lábios do pistoleiro tentam dizer. Norte, já lhe disse. Tinha
dito a Eddie? Acha que sim, mas está perdido. Perdido no embaralhamento
das coisas.
— Como você sabe que é para o norte? — grita Eddie em repentina
frustração. Ergue os punhos como se fosse bater em Roland, mas logo os
abaixa.
Simplesmente sei... e não entendo por que você desperdiça meu
tempo e minha energia com perguntas tolas — ele quer responder, mas
antes que consiga, as cartas sofrem uma nova
embaralhada
e são estendidas na mesa, reunidas de novo, cortadas, e sua cabeça pende
indefesa de um lado para o outro, presa a uma espécie de estranho vagonete
pelos cinturões de suas armas, e ele ouve Eddie Dean cantando uma mú-
sica que parece tão estranhamente familiar que ele acredita ter caído num
sonho delirante:
Hey jude... don 't make it bad... take a saad song... and make it better...