A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Acho que tenho de ir.
— Está bem — disse o balconista, perdendo abruptamente o interes-
se pela conversa. Já que o cara não era maluco e obviamente não passava de um curioso, e não era um comprador, a relação entre os dois estava encerrada. Cliente besta não faltava. — Mais alguma coisa? — a boca
perguntou enquanto os olhos mandavam embora o homem de terno azul.
— Não, obrigado. — O pistoleiro saiu sem olhar para trás. A carteira
de Mort estava bem escondida sob o balcão. Roland tinha deixado lá seu próprio pote de mel.
Os agentes Carl Delevan e George O'Mearah tinham acabado o café e estavam prestes a seguir em frente quando o homem no terno azul saiu do Clements — que ambos os tiras acreditavam ser uma "armada" (gíria po-
licial para uma loja de armas legal que vende revólveres a bandidos inde-pendentes bem credenciados e faz negócios, às vezes no atacado, com a Máfia) — e se aproximou do carro-patrulha.
Ele se inclinou e olhou pela janela do carona para O'Mearah.
O'Mearah achou que o homem ia soar como desmunhecado — provavel-
mente não tanto quanto sua experiência com algemas cor-de-rosa tinha
sugerido, mas ainda assim desmunhecado. Armas à parte, Clements fazia
bons negócios com algemas. Eram objetos legais em Manhattan e a maio-
ria das pessoas que as comprava não era Houdinis amadores (a polícia não
gostava disso, mas quando foi que o que a polícia pensava sobre determi-
nado assunto conseguiu mudar as coisas?). Os compradores eram homos
com um certo gosto pelo sadomasoquismo. Mas o homem não parecia
absolutamente um afeminado. Sua voz era seca, inexpressiva, educada mas
um tanto amorfa.
— O negociador dali pegou minha carteira — disse ele. — Quem? — O'Mearah se endireitou de imediato no banco. Esta-
vam tentando pegar Justin Clements havia um ano e meio. Se conseguis-
sem a proeza, talvez os dois pudessem finalmente trocar aqueles unifor-
mes azuis pelos distintivos de detetives. Provavelmente era só um sonho...
aquilo parecia bom demais para ser verdade... mas mesmo assim...