A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 239 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— Acho que tenho de ir.

— Está bem — disse o balconista, perdendo abruptamente o interes-

se pela conversa. Já que o cara não era maluco e obviamente não passava de um curioso, e não era um comprador, a relação entre os dois estava encerrada. Cliente besta não faltava. — Mais alguma coisa? — a boca

perguntou enquanto os olhos mandavam embora o homem de terno azul.

— Não, obrigado. — O pistoleiro saiu sem olhar para trás. A carteira

de Mort estava bem escondida sob o balcão. Roland tinha deixado lá seu próprio pote de mel.

 

Os agentes Carl Delevan e George O'Mearah tinham acabado o café e estavam prestes a seguir em frente quando o homem no terno azul saiu do Clements — que ambos os tiras acreditavam ser uma "armada" (gíria po-

licial para uma loja de armas legal que vende revólveres a bandidos inde-pendentes bem credenciados e faz negócios, às vezes no atacado, com a Máfia) — e se aproximou do carro-patrulha.

Ele se inclinou e olhou pela janela do carona para O'Mearah.

O'Mearah achou que o homem ia soar como desmunhecado — provavel-

mente não tanto quanto sua experiência com algemas cor-de-rosa tinha

sugerido, mas ainda assim desmunhecado. Armas à parte, Clements fazia

bons negócios com algemas. Eram objetos legais em Manhattan e a maio-

ria das pessoas que as comprava não era Houdinis amadores (a polícia não

gostava disso, mas quando foi que o que a polícia pensava sobre determi-

nado assunto conseguiu mudar as coisas?). Os compradores eram homos

com um certo gosto pelo sadomasoquismo. Mas o homem não parecia

absolutamente um afeminado. Sua voz era seca, inexpressiva, educada mas

um tanto amorfa.

— O negociador dali pegou minha carteira — disse ele. — Quem? — O'Mearah se endireitou de imediato no banco. Esta-

vam tentando pegar Justin Clements havia um ano e meio. Se conseguis-

sem a proeza, talvez os dois pudessem finalmente trocar aqueles unifor-

mes azuis pelos distintivos de detetives. Provavelmente era só um sonho...

aquilo parecia bom demais para ser verdade... mas mesmo assim...