A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Faça o que eu digo. Agora.
Meu Deus, isto nunca vai acabar, gemeu a mente do Johnny Gordo.
Depois de um segundo de reflexão, ele abriu outra seção do balcão e trou-xe um par de algemas.
— Chave? — Roland pediu.
Johnny Gordo pôs a chave das algemas em cima do balcão, o que pro-
duziu um pequeno clique. Um dos tiras inconscientes fez um ruído
ressonante e Johnny deixou escapar um pequeno grito.
— Vire — disse o pistoleiro.
— Não vai atirar em mim, não é? Você disse que não ia! — E não vou — Roland confirmou num tom neutro. — Desde que
se vire já. Se não fizer isso, vou atirar.
Johnny Gordo se virou e começou a chorar. Tudo bem, o cara tinha
dito que não ia atirar, mas o cheiro de encrenca da grossa era forte demais
para ser ignorado. E seu tom de voz não fora confiável. O choro de Johnny se transformou em gemidos sufocados.
— Por favor, senhor, pelo bem da minha mãe não atire em mim.
Minha mãe é velha. Ficou cega. Foi...
— Amaldiçoada com uma tripa medrosa de um filho... — disse o
pistoleiro num tom severo. — Junte os pulsos.
Choramingando, com a cueca molhada incomodando, Johnny Gor-
do obedeceu. Num segundo, os braceletes de aço estavam postos no lugar.
Ele não fazia idéia de como a assombração conseguira pular ou contornar o balcão tão depressa. E também não queria saber.
— Fique aí olhando para a parede até eu lhe dizer que está tudo bem
e que pode virar. Se virar antes disso, vou matá-lo.
A esperança iluminou a mente de Johnny Gordo. Talvez, afinal, o
cara não pretendesse mesmo liquidá-lo. Talvez não fosse louco varrido, só
normalmente insano.
— Não vou me virar. Juro por Deus. Juro diante de todos os Seus
santos. Juro diante de todos os Seus anjos. Juro diante de todos os Seus
arcanj...
— E eu juro que se você não calar a boca vou enfiar um murro no seu
pescoço — disse a assombração.
Johnny Gordo calou a boca. Tinha a sensação de estar há uma eter-
nidade encarando a parede. Na verdade, foram vinte segundos.