A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
surdo total. Contudo, era incapaz de parar.…
surdo total. Contudo, era incapaz de parar. Vou morrer, mas por favor, só me deixe ter mais uma...
O revólver na mão esquerda do pistoleiro disparou. Na praia aberta
o tiro teria feito barulho; ali dentro foi ensurdecedor.
— Meu Deus! — gritou Cimi Dretto num tom estrangulado,
esbaforido. Era incrível que ainda tivesse forças para gritar. De repente ficara com o peito cavado, como se fosse um barril atingido
por uma marreta. A camisa branca começou a ficar cheia de manchas verme
lhas, como se papoulas estivessem florescendo sobre ela. — Ai, meu
Deus! Ai, meu Deus! Ai, meu...
Cláudio Andolini tirou-o da frente. Cimi caiu com um baque. Duas
das fotos emolduradas na parede de Balazar caíram no chão e a que mos-
trava o Patrão passando o troféu Desportista do Ano a um sorridente' ra-paz num banquete da Liga Atlética Policial havia acertado a cabeça de Cimi. Cacos de vidro caíram nos ombros dele.
— Ai, meu Deus — ele sussurrou com uma vozinha que ia faltando e
o sangue começou a espumar de seus lábios.
Cláudio fora seguido por Tricks e um dos homens que ficara espe-
rando na despensa. Cláudio tinha uma arma automática em cada mão; o cara da despensa tinha uma pistola Remington de cano tão curto que parecia um revólver com inchaço de caxumba; Tricks Postino carregava o
que chamava A Maravilhosa Máquina de Rambo: era uma metralhadora de assalto, uma M-16, de fogo-rápido.
— Cadê meu irmão, seu viciado de merda? — gritou Cláudio. — O
que fez com o Jack? — Talvez não estivesse assim tão interessado numa resposta, pois começou a atirar com ambas as armas enquanto gritava.
Estou morto, pensou Eddie, e então Roland tornou a atirar. Cláudio Andolini foi impelido para trás numa nuvem de seu próprio sangue. As armas automáticas, voando de suas mãos e deslizando pela escrivaninha
de Balazar, bateram no carpete entre um esvoaçar de cartas de baralho. A maioria das tripas de Cláudio atingiu a parede um segundo antes de Cláudio — Peguem! — gritava Balazar. — Peguem o fantasma! O garoto
não é perigoso! Não passa de um drogado de bunda de fora! Peguem o fantasma! Acabem com ele!