A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 117 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Cort não teria lhe dado um soco…

Cort não teria lhe dado um soco porque, mesmo doente, Eddie não

se limitara a se agachar e lamentar seu destino. Tinha feito alguma coisa.

Tinha tentado.

E Cort poderia ter oferecido um de seus bruscos, quase rancorosos

elogios porque, por mais louca que a coisa pudesse parecer, ela funcionava.

As compridas trilhas que iam se estendendo pela praia até um ponto, nos limites da visão, onde elas pareciam se juntar provavam isso.

— Está vendo alguma? — pergunta Eddie. O sol está se pondo,

lançando uma faixa alaranjada pela água, e com isso o pistoleiro pode calcular que, desta vez, esteve mais de seis horas fora do ar. Sente-se mais

forte. Senta-se na areia e contempla a água. Nem a praia nem a terra que corre pela encosta ocidental das montanhas se alteraram muito; vê pequenas

variações da paisagem, dos detalhes (por exemplo: cerca de vinte metros à sua esquerda e a mais ou menos uns trinta da água, sob penas que esvoaçam, há uma gaivota morta, esticada num pequeno monte de

areia); fora isso, tudo parece estar exatamente no mesmo lugar.

— Não — diz o pistoleiro. E então: — Sim. Estou vendo uma. Aponta. Eddie aperta os olhos e aquiesce. Quando o sol mergulha

mais e a faixa alaranjada fica mais parecida com sangue, a primeira lagostrosidade sai rolando das ondas e começa a rastejar praia acima.

Duas delas correm desajeitadas para a gaivota morta. A vencedora da

disputa arremete contra a ave, rasga seu corpo e começa a encher a goela com os restos apodrecidos. Chic?, pergunta ela.

Chum?, responde a vizinha. Ch...

KA-BLAM!

O revólver de Roland põe fim às perguntas de uma das criaturas.

Eddie avança e agarra o animal pelas costas, não tirando um olho descon-fiado de sua companheira. A outra, no entanto, não causa problemas; está ocupada com a gaivota. Eddie carrega a caça de volta. Ela ainda se

contorce, erguendo e abaixando as garras, mas logo pára de se mexer. A cauda desenha o seu último arco e simplesmente desaba, sem qualquer flexão para baixo. As garras de boxeador caem sem energia.

— O jantar já vem, mestre — diz Eddie. — Pode escolher: filé de

monstro rastejante ou espeto de monstro rastejante na brasa. O que atiça sua fantasia, mestre?