A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 134 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Odetta podia ter tomado uma limusine em…

Odetta podia ter tomado uma limusine em qualquer lugar, mesmo em 1959, embora seu pai ainda estivesse vivo e ela ainda não fosse tão fabulo-

samente rica como se tornaria quando ele morreu em 62 — o dinheiro mantido sob a guarda de um curador tornou-se seu aos 25 anos, quando ela pôde começar a usá-lo como bem entendesse. Mas se importava um

pouco com uma expressão que um colunista conservador havia cunhado um ou dois anos antes: a expressão era "liberal-limusine" e Odetta era

suficientemente jovem para não querer ser vista como um deles, por mais que realmente fosse um deles. Ainda assim não era jovem o bastante (ou suficientemente estúpida!) para acreditar que algumas calças jeans desbo-

tadas, as camisas cáqui que habitualmente usava ou andar de ônibus ou de metrô quando podia usar o carro (demasiado senhora de si para não ver como Andrew ficava magoado e profundamente confuso; Andrew gosta-

va dela e encarava aquilo como uma espécie de rejeição pessoal) alteras-sem, em qualquer sentido real, seu status básico. Era no entanto jovem o bastante para ainda acreditar que determinado estilo podia às vezes superar

(ou pelo menos abafar) a verdade.

Na noite de 19 de agosto de 1959, ela pagou pelo estilo com metade

das pernas... e metade de sua mente.

 

Odetta fora primeiro arrastada, depois puxada e finalmente agarrada

pela onda que acabaria se transformando num maremoto. Em 1957, quando ela se deixou envolver, a coisa que acabaria se tornando conhe-cida como o Movimento ainda não tinha nome. Ficou sabendo alguma

coisa dos bastidores, ficou sabendo que a luta pela igualdade havia sido travada não desde a Proclamação da Emancipação mas quase desde que o primeiro navio cheio de escravos aportara nos Estados Unidos (na reali-

dade na Geórgia, a colônia que a Inglaterra havia fundado para se livrar de criminosos e maus pagadores). Para Odetta, no entanto, a luta sem-pre parecia começar no mesmo ponto, com as mesmas palavras: não vou

sair daqui.