A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
coisa, e então os olhos rolaram e…
coisa, e então os olhos rolaram e esbranquiçaram. Quando os joelhos per-
deram a força, ele desabou.
Roland parou na porta, alheio à aproximação das sirenes. Abriu o
rifle, soltou o mecanismo de trave e ejetou todos os grossos cartuchos
vermelhos, que caíram sobre o corpo de Delevan. Feito isto, jogou a pró-
pria arma sobre Delevan.
— Você é um maluco perigoso que deveria ser mandado para o Oeste
— disse ao homem inconsciente. — Esqueceu o rosto de seu pai.
Deu uma passada sobre o corpo e rumou para a carruagem dos
pistoleiros, que continuava ali parada. Entrou pela porta do lado oposto à
calçada e sentou-se atrás do volante.
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Sabe conduzir esta carruagem?, perguntou à coisa desesperada, desarticula-
da que era Jack Mort.
Não obteve uma resposta coerente; Mort apenas continuou gritan-
do. O pistoleiro identificou aquilo como histeria, mas uma histeria que
não era de todo genuína. Jack Mort estava tendo ataques histéricos de
propósito, como meio de se esquivar a qualquer conversa com aquele es-
tranho seqüestrador.
Escute, disse-lhe o pistoleiro. Só tenho tempo para dizer isto — ou
qualquer outra coisa — uma vez. Meu tempo ficou muito curto. Se não res-
ponder à minha pergunta, vou colocar seu polegar direito em seu olho direito.
Vou empurrá-lo o mais fundo que ele puder ir e depois vou tirar sua órbita
ocular da cabeça e amassá-la no banco desta carruagem como um inseto. Posso
continuar muito bem com um único olho. E, afinal, não vou sentir como se o
olho fosse meu.
Seria tão impossível não estar falando sério com Mort quanto Mort
não falar sério com ele; a natureza do relacionamento era fria e relutante
de ambas as partes, mas era também muito mais íntima do que o mais
apaixonado ato sexual conseguiria ser. Tratava-se, afinal, não de uma união
de corpos, mas da mais extrema fusão de mentes.
Ele pretendia fazer exatamente o que dizia.
E Mort sabia disso.