A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Parou a meio caminho da água, oscilante, contemplando o lugar
onde estivera, recordando. Aparentemente caíra no sono pouco
abaixo da linha da maré alta. Agarrou sua bolsa e a bota cortada.
A luz opaca da lua, viu outras criaturas do mesmo tipo e, no
hiato entre uma onda e outra, ouviu suas vozes perguntadoras.
O pistoleiro foi recuando um passo de cada vez, recuou até
atingir o contorno de mato verde da praia. Ali se sentou e fez o que
sabia fazer: salpicou os cotos dos dedos da mão e do dedo do pé
com o resto do tabaco para deter o sangramento. Salpicou bastante,
agüentando a nova sensação de ardência (agora o dedão perdido do
pé se juntava ao coro) e depois simplesmente ficou sentado,
suando entre tremores de frio, perguntando-se se teria uma
infecção, sem saber como ia se virar naquele mundo sem dois
dedos da mão direita (quando sacava os revólveres, ambas as mãos
tinham a mesma agilidade, mas em todas as outras coisas a direita
dominava), sem saber se a mordida da coisa teria algum veneno que
já pudesse estar abrindo caminho por dentro dele, sem saber se a
manhã iria mesmo chegar.