A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Acho melhor você esperar.
A coisa amarelada virou para trás, de sobrancelhas erguidas.
— Acha que não vou se quiser ir?
— Acho que se for e isto for uma boa merda, eu vou estar muito mal
amanhã. Então você terá se metido numa tremenda merda.
A coisa amarela virou-se de mau humor. Sentou-se na única poltrona
da sala enquanto Eddie abria o envelope e derramava uma pequena quan-tidade de pó marrom. Parecia má. Olhou para a coisa amarela.
— Sei como é, parece merda, mas isso é apenas uma amostra — disse
a coisa amarela. — É ótima.
Eddie tirou uma folha de papel do bloco na escrivaninha e separou
uma pequena quantidade do pó marrom. Passou o dedo nele e esfregou-o no céu da boca. Um segundo depois, cuspiu na cesta de lixo.
— Você quer morrer? É isso? Cultiva um desejo de morte?
— Era o que tínhamos. — A coisa amarela pareceu ainda mais sombria. — Tenho uma reserva amanhã — disse Eddie. Era mentira, mas não
achava que a coisa amarela tivesse meios de verificar. — Pela TWA. Fiz
por minha conta, para o caso de o contato ser um fodido como você. Não me importa. Na realidade vai ser um alívio. Não fui feito para este tipo de
trabalho.
A coisa amarela sentou-se e refletiu. Eddie também se sentou e concen-
trou-se em não se mexer. Tinha vontade de se mexer; vontade de escorregar e deslizar, correr e bater, dançar e pular, arranhar seus arranhões, esfolar as feri-das. Sentiu até mesmo os olhos querendo resvalar para a pilha de pó marrom,
embora soubesse que era veneno. Tinha cheirado às dez daquela manhã; o mesmo número de horas tinha transcorrido desde então. Mas se fizesse qual-quer daquelas coisas, a situação mudaria. A coisa amarela estava fazendo mais
do que refletir; estava observando-o, tentando avaliar suas profundezas.
— Talvez eu consiga achar alguma coisa — disse ela por fim.
— Por que não tenta? — disse Eddie. — Mas venha até as 11. De-
pois vou desligar a luz e pôr o NÃO PERTURBE na porta. Se alguém bater depois que eu fizer isso, chamo a telefonista e digo que estão me
incomodando, para ela chamar um segurança.
— Você é um babaca — disse a coisa amarela com seu impecável
sotaque inglês.