A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 25 de 274

Páginas do PDF

A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— Acho melhor você esperar.

A coisa amarelada virou para trás, de sobrancelhas erguidas.

— Acha que não vou se quiser ir?

— Acho que se for e isto for uma boa merda, eu vou estar muito mal

amanhã. Então você terá se metido numa tremenda merda.

A coisa amarela virou-se de mau humor. Sentou-se na única poltrona

da sala enquanto Eddie abria o envelope e derramava uma pequena quan-tidade de pó marrom. Parecia má. Olhou para a coisa amarela.

— Sei como é, parece merda, mas isso é apenas uma amostra — disse

a coisa amarela. — É ótima.

Eddie tirou uma folha de papel do bloco na escrivaninha e separou

uma pequena quantidade do pó marrom. Passou o dedo nele e esfregou-o no céu da boca. Um segundo depois, cuspiu na cesta de lixo.

— Você quer morrer? É isso? Cultiva um desejo de morte?

— Era o que tínhamos. — A coisa amarela pareceu ainda mais sombria. — Tenho uma reserva amanhã — disse Eddie. Era mentira, mas não

achava que a coisa amarela tivesse meios de verificar. — Pela TWA. Fiz

por minha conta, para o caso de o contato ser um fodido como você. Não me importa. Na realidade vai ser um alívio. Não fui feito para este tipo de

trabalho.

A coisa amarela sentou-se e refletiu. Eddie também se sentou e concen-

trou-se em não se mexer. Tinha vontade de se mexer; vontade de escorregar e deslizar, correr e bater, dançar e pular, arranhar seus arranhões, esfolar as feri-das. Sentiu até mesmo os olhos querendo resvalar para a pilha de pó marrom,

embora soubesse que era veneno. Tinha cheirado às dez daquela manhã; o mesmo número de horas tinha transcorrido desde então. Mas se fizesse qual-quer daquelas coisas, a situação mudaria. A coisa amarela estava fazendo mais

do que refletir; estava observando-o, tentando avaliar suas profundezas.

— Talvez eu consiga achar alguma coisa — disse ela por fim.

— Por que não tenta? — disse Eddie. — Mas venha até as 11. De-

pois vou desligar a luz e pôr o NÃO PERTURBE na porta. Se alguém bater depois que eu fizer isso, chamo a telefonista e digo que estão me

incomodando, para ela chamar um segurança.

— Você é um babaca — disse a coisa amarela com seu impecável

sotaque inglês.