A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Embaralhada Final
1
Pela primeira vez no que parecia ter sido mil anos, o pistoleiro não estava pensando na Torre Negra. Pensava apenas no cervo que descera até o lago
na clareira da floresta.
Mirou no tronco caído com sua mão esquerda.
Carne, pensou, e atirou enquanto a saliva quente enchia sua boca.
Não acertei, pensou no milésimo de segundo que se seguiu ao tiro.
Perdida. Toda a minha perícia... perdida.
O cervo caiu morto na beira do lago.
Logo a Torre o ocuparia de novo, mas naquele momento ele só
abençoou todos os deuses existentes por ter a mira ainda precisa e pen-
sou na verdadeira carne, na carne, na carne. Tornou a colocar o revólver
— o único que usava agora — no coldre e pulou o tronco atrás do qual ficara pacientemente deitado, enquanto a tarde avançava para o crepús-
culo, esperando que algo grande o bastante para servir de alimento fosse
até o lago.
Estou me recuperando, pensou com algum espanto enquanto puxava
a faca. Estou realmente me recuperando.
Não viu a mulher parada atrás dele, observando com atentos olhos
castanhos.