A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 257 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

A histeria parou de repente. Sei dirigir,…

A histeria parou de repente. Sei dirigir, disse Mort. Foi a primeira

comunicação articulada que Roland obteve de Mort desde que chegara ao

interior da cabeça do homem.

Então dirija.

Para onde quer que eu vá?

Conhece um lugar chamado "The Viliage"?

Conheço.

Vamos para lá.

Onde no Viliage?

Por enquanto, apenas dirija.

Podemos ir mais depressa se eu usar a sirene.

Ótimo. Pode ligá-la. As luzes que piscam também.

Pela primeira vez desde que tinha se apoderado dele, Roland recuou

um pouco e permitiu que Mort assumisse. Quando a cabeça de Mort se abaixou para examinar o painel do carro azul e branco de Delevan e

O'Mearah, Roland viu o movimento mas não iniciou a ação. Mas se fosse um ser físico em vez de apenas seu ka desencarnado, teria ficado parado na ponta dos pés, pronto para saltar para a frente e assumir novamente o

controle ao menor indício de motim.

Não houve, contudo, nenhum motim. Aquele homem havia matado

e mutilado só Deus sabia quantas pessoas inocentes, mas não pretendia

perder um de seus preciosos olhos. Tocou em botões, puxou uma alavanca e, de repente, estavam em movimento. A sirene tocava e o pistoleiro viu

pulsos de luz vermelha escapando pela frente da carruagem.

Vá depressa, ordenou o pistoleiro num tom severo.

 

A despeito das luzes, da sirene e de Jack Mort buzinando sem parar, levaram vinte minutos para chegar ao Greenwich Viliage naquela hora de rush. No mundo do pistoleiro, as esperanças de Eddie Dean iam se rompendo como

diques num dilúvio. Logo desapareceriam inteiramente.

O mar já comera metade do sol.

Bem, disse Jack Mort, chegamos. Estava dizendo a verdade (não havia

como mentir), embora para Roland tudo ali parecesse exatamente como em qualquer outro lugar: um amontoado de prédios, pessoas e carruagens. As carruagens saturavam não apenas as ruas, mas o próprio ar... com seu

interminável barulho e a fumaceira nociva. A fumaça, supunha Roland, vinha do combustível que elas queimavam. Era incrível que aquelas pessoas

pudessem viver assim, que as mulheres pudessem dar à luz crianças que não fossem monstros, como os Vagos Mutantes sob as montanhas.

Agora pura onde vamos?, Mort estava perguntando.

Essa seria a parte difícil. O pistoleiro estava pronto... pelo menos o

mais pronto possível.

Desligue a sirene e as luzes. Pare junto da calçada.

Mort parou o carro-patrulha um pouco acima de um hidrante de

incêndio.

Há trilhos subterrâneos nesta cidade, disse o pistoleiro. Quero que me

leve a uma estação onde os trens param para desembarcar e embarcar

passageiros.

Que estação?, perguntou Mort. O pensamento estava tingido com o

tom mental do pânico. Mort nada podia esconder de Roland e Roland nada de Mort — pelo menos não por muito tempo.

Alguns anos atrás — não sei quantos — você empurrou uma

jovem na frente de um trem numa dessas estações subterrâneas. É a essa que eu quero que me leve.

Seguiu-se, então, uma luta violenta mas breve. O pistoleiro foi o ven-

cedor, mas a vitória foi surpreendentemente difícil. A seu jeito, Jack Mort era tão dividido quanto Odetta. Mas não era um esquizofrênico como ela;

sabia muito bem o que fazia de vez em quando. Conservava, no entanto, seu eu secreto — a parte dele que era o Empurrador — tão cuidadosa-mente trancada quanto o autor de um desfalque manteria trancado seu

deslize.

Me leve até lá, seu safado, repetiu o pistoleiro. E lentamente tornou a

erguer o polegar para o olho direito de Mort. O dedo estava a um centí-

metro e ainda se movia quando Mort cedeu.

A mão direita de Jack Mort moveu novamente a alavanca junto do

volante e seguiram para a estação Christopher Street, onde aquele fabuloso

trem A cortara as pernas de uma mulher chamada Odetta Holmes cerca de três anos atrás.