A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
vez estava vendo outras aves além das…
vez estava vendo outras aves além das gaivotas. Algumas eram maiores que
urubus e tinham asas compactas. Falcões, pensou ele. Observou como, vez
por outra, eles batiam as asas e mergulhavam como pedras. Caçando. Caçando
o quê? Bem, pequenos animais. É o que era de se esperar.
Continuava, no entanto, pensando no uivo que ouvira durante a
noite.
Pelo meio da tarde, puderam ver claramente a terceira porta. Era,
como as outras duas, uma impossibilidade que, não obstante, parecia fir-
me como um poste de luz.
— Incrível — ele a ouviu dizer em voz baixa. — Absolutamente
incrível.
Estava exatamente onde Eddie havia imaginado que a porta estaria,
no ângulo que marcava o final de uma progressão lógica para o norte.
Achava-se logo acima da linha da maré alta e a menos de nove metros do
lugar onde os morros brotavam do solo como gigantesca mão coberta de
mato verde e cinzento, não de pêlos.
A maré alta se completou quando o sol começou a mergulhar na
água e eles alcançaram a porta por volta das quatro da tarde — conforme
a avaliação de Odetta, mas como ela garantira ser boa para ver as horas
pelo sol (e pelo fato de ser sua amada), Eddie acreditou.
Por um instante, apenas contemplaram a porta, Odetta em sua cadeira
com as mãos no colo, Eddie parado na beira-mar. De uma certa forma a
olhavam como tinham olhado para a estrela-dalva na noite anterior (isto
é, do modo como as crianças olham as coisas), mas também a fitavam de
modo diferente. Na noite anterior tinham feito aquela brincadeira de crian-
ça com os desejos e a estrela. Agora estavam solenes, maravilhados, como
crianças vendo a firme materialização de uma coisa que só deveria existir
nos contos de fada.
Havia duas palavras escritas naquela porta.
— O que significa isto? — Odetta finalmente perguntou.
— Não sei — disse Eddie, mas as palavras tinham lhe trazido um
calafrio de desespero; sentiu uma espécie de eclipse cortando o coração.