A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 200 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

vez estava vendo outras aves além das…

vez estava vendo outras aves além das gaivotas. Algumas eram maiores que

urubus e tinham asas compactas. Falcões, pensou ele. Observou como, vez

por outra, eles batiam as asas e mergulhavam como pedras. Caçando. Caçando

o quê? Bem, pequenos animais. É o que era de se esperar.

Continuava, no entanto, pensando no uivo que ouvira durante a

noite.

Pelo meio da tarde, puderam ver claramente a terceira porta. Era,

como as outras duas, uma impossibilidade que, não obstante, parecia fir-

me como um poste de luz.

— Incrível — ele a ouviu dizer em voz baixa. — Absolutamente

incrível.

Estava exatamente onde Eddie havia imaginado que a porta estaria,

no ângulo que marcava o final de uma progressão lógica para o norte.

Achava-se logo acima da linha da maré alta e a menos de nove metros do

lugar onde os morros brotavam do solo como gigantesca mão coberta de

mato verde e cinzento, não de pêlos.

A maré alta se completou quando o sol começou a mergulhar na

água e eles alcançaram a porta por volta das quatro da tarde — conforme

a avaliação de Odetta, mas como ela garantira ser boa para ver as horas

pelo sol (e pelo fato de ser sua amada), Eddie acreditou.

 

Por um instante, apenas contemplaram a porta, Odetta em sua cadeira

com as mãos no colo, Eddie parado na beira-mar. De uma certa forma a

olhavam como tinham olhado para a estrela-dalva na noite anterior (isto

é, do modo como as crianças olham as coisas), mas também a fitavam de

modo diferente. Na noite anterior tinham feito aquela brincadeira de crian-

ça com os desejos e a estrela. Agora estavam solenes, maravilhados, como

crianças vendo a firme materialização de uma coisa que só deveria existir

nos contos de fada.

Havia duas palavras escritas naquela porta.

— O que significa isto? — Odetta finalmente perguntou.

— Não sei — disse Eddie, mas as palavras tinham lhe trazido um

calafrio de desespero; sentiu uma espécie de eclipse cortando o coração.