A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 18 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Capítulo 2 · Eddie Dean

 

 

Como que para confirmar essa idéia, por mais maluca que fosse, o que o

pistoleiro contemplava através da porta de repente se ergueu e deslizou para o lado. A visão girou (novamente aquela sensação de vertigem, uma

sensação de estar parado numa plataforma com rodas, uma plataforma

com mãos que ele não podia ver e que a moviam de um lado para o outro) e então o corredor foi ultrapassando as beiradas de uma porta. Ele passou

por um lugar onde se encontravam várias mulheres, todas usando o mes-

mo uniforme vermelho. Era um lugar de utensílios de aço e ele teria gos-tado de fazer a visão em movimento parar, a despeito da dor e exaustão

que sentia, para ver o que eram as coisas de aço — algum tipo de máqui-

nas. Uma delas lembrava um pouco um fogão. A mulher de uniforme do exército que ele já vira foi servindo o gim que a voz tinha pedido. A garrafa

da bebida era muito pequena. Era de vidro. O recipiente onde o gim esta-va sendo derramado parecia de vidro, mas o pistoleiro achava que na ver-

dade era de outra coisa.

O que a imagem mostrava se deslocou antes que ele pudesse ver mais.

Foi outro daqueles giros atordoantes e ele se viu olhando para uma porta

de metal. Havia um letreiro iluminado num pequeno entalhe oblongo.

Aquela palavra o pistoleiro conseguiu ler: LIVRE, estava escrito.

A visão deslizou um pouco para baixo. A mão de alguém surgiu

da direita da porta através da qual o pistoleiro estava olhando e agarrou

a maçaneta da porta para a qual o pistoleiro estava olhando. Ele viu o punho de uma camisa azul ligeiramente repuxado, revelando caracóis

eriçados de pêlos pretos. Dedos compridos. Num deles um anel com

uma jóia incrustada que poderia ser um rubi, uma água-marinha ou uma porcaria qualquer mais ou menos vistosa. O pistoleiro acabou se

decidindo pela terceira hipótese - a pedra era grande e vulgar demais

para ser verdadeira.

A porta de metal se abriu e o pistoleiro se deparou com a mais estra-

nha privada que jamais vira. Era toda de metal.

As bordas da porta também de metal ultrapassaram as bordas da por-

ta na praia. O pistoleiro ouviu o barulho da porta sendo fechada e trancada.

Ao ser poupado de outro daqueles vertiginosos rodopios, supôs que o

homem através de cujos olhos estava olhando devia ter estendido a mão

para trás do próprio corpo ao se trancar ali.

Então a visão se deslocou — não uma volta completa, mas uma

meia-volta — e ele estava olhando para um espelho, vendo um rosto que

já vira antes... numa carta de tarô. Os mesmos olhos escuros e os fios de

cabelo preto caídos na testa. O rosto estava calmo, mas pálido, e nos

olhos — olhos que agora voltavam refletidos para ele — Roland viu um

pouco do medo, do terror da criatura cavalgada pelo babuíno na carta

de tarô.

O homem estava tremendo.

Ele também está doente.

Então se lembrou de Nort, o comedor de erva de Tull.

Pensou no Oráculo.

Um demônio tomou conta dele.

De repente o pistoleiro achou que talvez soubesse o que, afinal, era a

HEROÍNA: algo como a erva-do-diabo.

Um pouco perturbador, não é?

Sem pensar, com a simples decisão que o transformara no último de

todos, o último a continuar marchando em frente, muito tempo depois

de Cuthbert e os outros terem morrido, desistido, cometido suicídio, trai-

ção ou simplesmente renegado toda a idéia da Torre; com a determinada

e brava resolução que o impelira pelo deserto, e pelos anos antes do deser-

to, na esteira do homem de preto, o pistoleiro atravessou a porta.