A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Seria ótimo, mas não podemos contar…
— Seria ótimo, mas não podemos contar com isso — disse Eddie,
agarrando um pedaço de garra escurecida e começando a fazer
distraidamente desenhos na areia. — Sabe se a próxima porta está muito longe?
Roland sacudiu a cabeça.
— Só pergunto porque se a distância entre a Número Dois e a
Número Três for a mesma que a distância entre a Número Um e a Número Dois, podemos ficar realmente na merda.
— Já estamos bem enterrados na merda.
— Até o pescoço — concordou Eddie com ar melancólico. — E só
fico me perguntando quanto tempo vamos nos manter à tona.
Roland bateu-lhe no ombro, um gesto tão raro de afeto que Eddie
estremeceu.
— Há uma coisa que a Dama não sabe — disse Roland.
— É? O quê?
— Que nós, os Brancos Putos, podemos nos manter um bom tempo
à tona.
Eddie riu, riu com vontade, tentando sufocar o riso contra o braço
para que Detta não acordasse. Ela já enchera bastante o seu saco por aque-
le dia, obrigado e que passasse bem. O pistoleiro olhou para ele, sorrindo:
— Vou dormir — disse. — Fique...
— ... de olho. Sim. Vou ficar.
13
Em seguida foram os gritos.
Eddie adormeceu no momento em que sua cabeça encostou na trou-
xa da camisa enrolada e talvez só tenham se passado cinco minutos quan-do Detta começou a gritar.
Ele acordou de imediato, pronto para qualquer coisa, tipo alguma
Lagosta Rainha emergindo das profundezas para vingar os filhos chacina-dos ou algum horror vindo das colinas. Parecia que tinha acordado de
imediato, mas já encontrou o pistoleiro de pé, com um revólver na mão
esquerda.
Quando viu que os dois tinham acordado, Detta parou imediata-
mente de gritar.