A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 185 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— Não senhor! — disse Detta, olhos…

— Não senhor! — disse Detta, olhos brilhando. — Não SENHOR.

Tu pôs o veneno na outra ponta. A ponta que tá tentando me dá.

Sem dizer nada, Eddie pegou o resto da peça, colocou-a na boca,

mastigou, engoliu.

— Isso num qué dizê nada — disse Detta sombriamente. — Me

deixe em paz, puto.

Eddie não iria deixar.

Trouxe outro pedaço.

— Você corta pelo meio e me dá a metade que quiser. Eu como a

metade que você me der e você come o resto.

— Num vô caí em nada dessa trucalhada branca, mister Charlie. Tira

a porra dessa comida da minha frente foi o que eu disse e tira a porra dessa

comida da minha frente foi o que eu quis dizer.

 

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Ela não gritou durante a noite... mas ainda estava lá na manhã seguinte.

 

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Naquele dia só completaram três quilômetros, embora Detta não tenha feito qualquer esforço para derrubar a cadeira; Eddie achou que ela poderia

estar ficando fraca demais para tentativas de sabotagem. Ou talvez tivesse compreendido que não havia nenhuma necessidade de praticá-las. Afinal, três fatores fatais estavam convergindo de modo implacável para agravar a

situação: a fraqueza de Eddie, o terreno, que após intermináveis e intermi-náveis dias de monotonia, começava finalmente a se alterar, e a piora do estado de Roland.

Havia menos valas na areia, mas isso não servia de grande consolo.

O solo ia ficando mais pedregoso, lembrando cada vez mais terra árida,

improdutiva, e cada vez menos areia (em certos pontos moitas de mato

cresciam, parecendo quase envergonhadas de estarem ali). Brotavam

tantos pedregulhos daquela estranha combinação de areia e solo que

Eddie teve de começar a contorná-los com a cadeira de rodas da Dama

da mesma maneira como anteriormente contornava as valas. Percebeu

que logo não haveria mais qualquer sombra de praia. Os morros, marrons

e desolados, iam ficando cada vez mais próximos. Eddie podia ver as

ravinas que ondulavam entre eles, como cortes feitos por um gigante

desajeitado brandindo um cutelo cego. Naquela noite, antes de cair no

sono, ouviu o que parecia ser um gato muito grande bufando em algum

lugar bem acima deles.

A praia parecera interminável, mas Eddie começava a concluir que,

sem dúvida, chegaria ao fim. Em algum lugar lá na frente, os morros iriam

simplesmente espremê-la, até varrê-la da face daquela terra. As encostas

marcadas pela erosão continuariam marchando para o mar até finalmente

mergulharem nele, onde poderiam formar, primeiro, uma espécie de cabo

ou península, depois uma série de arquipélagos.

Isso o preocupava, mas o estado de Roland o preocupava ainda mais.

Dessa vez o pistoleiro parecia não estar exatamente ardendo, mas se

extinguindo, perdendo substância, tornando-se transparente.

As linhas vermelhas tinham aparecido de novo, marchando incansá-

veis pela parte de dentro de seu braço direito em direção ao cotovelo.

Nos últimos dois dias, Eddie não parava de olhar à frente, estreitan-

do os olhos para o horizonte, esperando ver a porta, a porta, a porta mági-

ca. Nos últimos dois dias ficara na expectativa do reaparecimento de Odetta.

Nem uma coisa nem outra acontecera.

Naquela noite, antes de cair no sono, dois pensamentos terríveis lhe

ocorreram, como alguma piada com um duplo fecho:

E se não houvesse porta?

E se Odetta Holmes estivesse morta?

 

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— Acorde, seu puto! — gritou Detta tirando-o do sono. — Acho que a

coisa agora vai sê entre tu e eu, queridão. Acho que o teu amigo finalmente

zarpou. Logo vai tá cutucando o diabo no inferno.

Eddie olhou para o contorno da forma corcunda de Roland e, por

um terrível instante, achou que a puta estava certa. Então o pistoleiro se

mexeu, gemeu num tom abafado e fez força para sentar.