A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 130 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

As luzes subindo a Quinta Avenida já…

As luzes subindo a Quinta Avenida já pareciam brilhantes demais. — Então como estava Oxford, Sra. Holmes? — perguntou Andrew

num tom hesitante.

— Úmida. Fevereiro ou não, estava muito úmida. — Fez uma pausa,

dizendo a si mesma que não despejaria as palavras que estavam se

acumulando como bílis em sua garganta, que iria engoli-las em segurança. Dize-las seria desnecessariamente brutal. A conversa de Andrew sobre o

último pistoleiro do mundo não passara de mais uma esquisitice na interminável

tagarelice do homem. Se bem que, mesmo levando tudo isso em conta, ele

fora um pouco longe demais e as palavras de Odetta sairiam de qualquer jeito, palavras que ela não deveria dizer. A voz pareceu calma e resoluta como sempre, mas Odetta não era tola: conhecia uma explosão quando

ouvia uma.

— O sujeito para pagar a fiança chegou em dois tempos, é claro; ele

estava de sobreaviso. Mas eles se agarraram a nós o mais que puderam e eu

agüentei o máximo que pude. Só que essa eles ganharam, porque acabei molhando as calças. — Viu os olhos de Andrew estremecerem de novo, quis parar mas não conseguiu. — É o que estão querendo ensinar a você,

percebe? Em parte porque a coisa nos assusta e uma pessoa assustada tal-vez não volte a incomodá-los no seu precioso Sul. Mas acho que a maioria deles... mesmo os que parecem bobos, mas que de bobos não têm

absolutamente nada... percebe a mudança que acabará acontecendo, não importa o que façam. Então procuram dobrá-lo enquanto ainda podem. Ensinam que você pode ser dobrado. Você pode jurar diante de Deus, de

Cristo e de toda a companhia dos Santos que não vai ceder, de jeito nenhum, não vai se sujar, mas se o pegarem de jeito e pelo tempo certo é

claro que você vai. A lição é que você não passa de um animal numa jaula, não é mais que isso, não é melhor que isso. Só um animal numa jaula. Então me molhei. Ainda posso sentir o cheiro da urina seca e

daquela maldita cela

em que me pegaram. Eles acham que descendemos dos macacos, você sabe. E é exatamente assim que estou sentindo agora o meu cheiro. Um

cheiro de macaca.

Viu os olhos de Andrew no retrovisor e lamentou a aparência que

tinham. Às vezes a urina não é a única coisa que a pessoa não consegue

segurar.