A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 77 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— Muito bom — disse calmamente Balazar, tirando outro baralho

— Pusemos.

— Muito bom — disse calmamente Balazar, tirando outro baralho

de cartas da gaveta de cima, do lado direito da escrivaninha.

Um andar não era suficiente para Balazar, // Roche. Sobre o telhado

do primeiro andar ele construía um segundo, só que não exatamente da

mesma largura; em cima do segundo, um terceiro; em cima do terceiro, um quarto. A coisa continuaria assim, mas após o quarto andar ele tinha de

ficar em pé para prosseguir. A pessoa já não precisava se curvar para olhar e quando olhava já não via fileiras de formas triangulares mas uma frágil, desconcertante e incrivelmente fascinante área com formas de diamante.

Se a pessoa olhasse muito tempo, ficava tonta. Uma vez Cimi entrara na Sala dos Espelhos do parque de Coney Island e se sentira assim. Nunca quis voltar lá.

Cimi dizia (achava que ninguém acreditava nele; o fato é que ninguém

se importava se estava ou não dizendo a verdade) que um dia vira Balazar construir algo que não era mais um castelo de cartas, mas uma torre de

cartas, uma torre que atingiu a altura de nove andares antes de desabar. Cimi não sabia que ninguém dava a menor importância a isso, pois todos a quem contava fingiam estar maravilhados, porque ele era íntimo do Patrão.

Mas talvez tivessem ficado mesmo maravilhados se Cimi possuísse as pala-vras certas para descrever a coisa: como era delicada, como cobria quase três quartos da distância do tampo da escrivaninha até o teto, uma rendilhada

armação de duques e trincas e reis e dez de paus e curingões, uma teia preta e vermelha de diamantes de papel se equilibrando em desafio a um mundo que passava girando por um universo de movimentos e forças incoerentes;

uma torre que pareceu aos olhos fascinados de Cimi ser uma espalhafatosa negação de todos os injustos paradoxos da vida.

Se tivesse sabido como falar, teria dito: Olhei para o que ele construiu

e para mim aquilo explicava as estrelas.

 

10

 

Balazar sabia como tudo teria de ser.

Os federais tinham farejado Eddie — para começar, talvez tivesse

sido uma estupidez mandar Eddie, talvez seus instintos tivessem fraquejado,