A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 168 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— Mexa-se. Ah, que Deus amaldiçoe o…

— Mexa-se. Ah, que Deus amaldiçoe o rosto de seu pai! — vociferou

Roland, e por fim Eddie se mexeu.

 

Por duas vezes quase perderam o controle sobre ela durante a operação

de amarrá-la e vendá-la. Mas Eddie acabou conseguindo dar um nó de

correr em volta dos pulsos com uma das correias dos cinturões de Roland

enquanto Roland — usando de toda a sua força — conseguia unir os

pulsos atrás das costas (durante todo o tempo o pistoleiro teve de se

esquivar dos botes que ela dava para mordê-lo; como um mangusto

se esquivando de uma cobra, conseguiu evitar as mordidas, mas antes de

Eddie terminar, estava ensopado de cuspe). Depois Eddie arrastou-a pelo

que sobrou de correia no improvisado nó de correr. Não queria machu-

car aquela coisa que não parava de praguejar e gritar. Era muito pior que

as lagostrosidades por causa da maior inteligência que possuía, mas sa-

bia que aquela inteligência deveria ser respeitada. Não queria machucar

a outra pessoa escondida em algum lugar lá dentro (como a pomba es-

condida no fundo de um dos compartimentos secretos da caixa de um

mágico).

Odetta Holmes estava em algum lugar dentro daquela coisa uivante,

estridente.

 

Embora sua última montaria — uma mula — tivesse morrido muito tem-

po atrás para ser lembrada, o pistoleiro ainda tinha um pedaço da corda

com que ela era amarrada (o que, por sua vez, já fora uma ótima corda de

laçar). Usaram-na para amarrar a mulher na cadeira de rodas, como há

pouco ela havia imaginado (ou fantasiado, e no final as duas hipóteses dão

na mesma, não é?) que eles já haviam feito. Depois se afastaram.

Se não fosse pelo medo das rastejantes coisas-lagostas, Eddie teria

descido até a água e lavado as mãos.

— Estou com vontade de vomitar — disse ele numa voz cujo tom

oscilava, subindo e descendo como a voz de um adolescente.