A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Mexa-se. Ah, que Deus amaldiçoe o…
— Mexa-se. Ah, que Deus amaldiçoe o rosto de seu pai! — vociferou
Roland, e por fim Eddie se mexeu.
Por duas vezes quase perderam o controle sobre ela durante a operação
de amarrá-la e vendá-la. Mas Eddie acabou conseguindo dar um nó de
correr em volta dos pulsos com uma das correias dos cinturões de Roland
enquanto Roland — usando de toda a sua força — conseguia unir os
pulsos atrás das costas (durante todo o tempo o pistoleiro teve de se
esquivar dos botes que ela dava para mordê-lo; como um mangusto
se esquivando de uma cobra, conseguiu evitar as mordidas, mas antes de
Eddie terminar, estava ensopado de cuspe). Depois Eddie arrastou-a pelo
que sobrou de correia no improvisado nó de correr. Não queria machu-
car aquela coisa que não parava de praguejar e gritar. Era muito pior que
as lagostrosidades por causa da maior inteligência que possuía, mas sa-
bia que aquela inteligência deveria ser respeitada. Não queria machucar
a outra pessoa escondida em algum lugar lá dentro (como a pomba es-
condida no fundo de um dos compartimentos secretos da caixa de um
mágico).
Odetta Holmes estava em algum lugar dentro daquela coisa uivante,
estridente.
Embora sua última montaria — uma mula — tivesse morrido muito tem-
po atrás para ser lembrada, o pistoleiro ainda tinha um pedaço da corda
com que ela era amarrada (o que, por sua vez, já fora uma ótima corda de
laçar). Usaram-na para amarrar a mulher na cadeira de rodas, como há
pouco ela havia imaginado (ou fantasiado, e no final as duas hipóteses dão
na mesma, não é?) que eles já haviam feito. Depois se afastaram.
Se não fosse pelo medo das rastejantes coisas-lagostas, Eddie teria
descido até a água e lavado as mãos.
— Estou com vontade de vomitar — disse ele numa voz cujo tom
oscilava, subindo e descendo como a voz de um adolescente.