A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 162 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Então ele se lembrou das mãos que tinham tateado aparentemente

distraídas pelo mostruário e, com a mesma distração, iam enfiando a falsa

pedraria numa grande bolsa — quase como se ela quisesse ser apanhada.

Os anéis estavam lá.

Os mesmos anéis.

Mas isso não significava necessariamente as mesmas mãos, pensou ele

febrilmente. A idéia, no entanto, só se sustentou por um segundo. Tinha

examinado as mãos delas. Eram as mesmas, de dedos longos, delicadas.

— Não — continuou o pistoleiro. — Não é ela. — Seus olhos azuis

estudaram Eddie cuidadosamente.

— As mãos dela...

— Escute — disse o pistoleiro — e escute com atenção. Nossas vidas

podem depender disso. A minha porque estou ficando outra vez doente e

a sua porque você se apaixonou por ela.

Eddie não disse nada.

— Ela é duas mulheres no mesmo corpo. Era uma pessoa quando a

trouxe para cá e outra quando voltei com a água.

Agora Eddie não conseguiu dizer nada.

— Havia mais alguma coisa nela — continuou Roland —, alguma

coisa estranha. Ou não fui capaz de compreendê-la ou fui capaz, num

primeiro momento, mas ela me escapou. Parecia importante.

O olhar de Roland, ultrapassando Eddie, se concentrou na cadeira de

rodas à beira-mar, isolada na extremidade de um curto rastro que vinha

de lugar nenhum. Então Roland tornou a olhar para Eddie.

— Entendo muito pouco disto, de como algo assim pode estar

acontecendo, mas você deve ficar de guarda. Entendeu?

— Sim. — Eddie tinha a sensação de estar faltando ar em seus

pulmões. Percebia... ou pelo menos tinha uma percepção de cinéfilo do

tipo de risco a que o pistoleiro estava se referindo... mas não tinha

coragem de deixar a coisa em pratos limpos sequer para si mesmo,

ainda não. Era como se Roland tivesse drenado todo seu ânimo.

— Ótimo. Porque a mulher que eu trouxe do outro lado da porta é

tão letal quanto aquelas coisas-lagostas que aparecem à noite.