A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Eddie não queria deixar o pistoleiro. Não…
Eddie não queria deixar o pistoleiro. Não era apenas o grito de felino
à noite (embora Eddie também pensasse nisso); o problema é que Roland
se tornara seu elo mais essencial com aquele mundo. Um mundo do qual ele e Odetta não faziam parte.
Contudo, percebia que o pistoleiro tinha razão.
— Quer descansar? — perguntou a Odetta. — Há mais comida.
Um pouco mais.
— Por enquanto não — respondeu ela, embora sua voz soasse cansa-
da. — Daqui a pouco.
— Tudo bem, mas pelo menos pare de se sacudir. Você está fraca.
Seu... seu estômago, você sabe.
— Tudo bem. — Ela se virou, o rosto brilhando de suor, e concedeu-
lhe um sorriso que ao mesmo tempo tirou e deu forças a Eddie. Ele seria capaz de morrer por aquele sorriso... e achou que morreria mesmo, se as circunstâncias o exigissem. Esperava, pelo que havia de mais sagrado,
que não fosse preciso chegar a tanto, mas sem dúvida não estava fora de questão.
O tempo se tornara algo tão crucial que parecia gritar. Odetta tinha
as mãos pousadas no colo e ele empurrava. Os rastros que a cadeira deixa-va para trás ficavam agora menos claros; o solo da praia ia se tornando cada vez mais firme, mas também se cobria de grandes pedras capazes de
provocar um acidente. E seria difícil evitar que acontecesse alguma coisa na velocidade em que estavam indo. Um acidente realmente grave poderia
machucar Odetta, o que seria terrível; o acidente também poderia inutilizar a cadeira, o que seria igualmente terrível para os dois e provavelmente ainda pior para o pistoleiro, que quase certamente morreria sozinho. Se,
por outro lado, Roland morresse e eles não, ficariam para sempre encurra-lados naquele mundo.
Com Roland doente e fraco demais para andar, Eddie fora forçado a
encarar um fato muito simples: havia três pessoas ali e duas já estavam incapacitadas.
Então que esperança, que chance havia?
A cadeira.
A cadeira era a esperança, toda a esperança e nada a não ser esperança.
Que Deus, então, os ajudasse.