A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— ... do Hungry I. É um…
— ... do Hungry I. É um café. — Ah. Claro. Certo.
A outra mulher, ferida ou não, fizera com que ele se sentisse sujo e
meio doente. Esta o fazia se sentir como um cavaleiro num conto do rei
Artur, um cavaleiro que conseguira resgatar a Bela Donzela das garras do
dragão.
— Lembro de estar descendo as escadas para a plataforma e depois
disso...
— Alguém a empurrou. — Soava estúpido, mas nenhum problema
com isso. Era estúpido.
— Me jogou na frente do trem?
— Sim.
— Perdi minhas pernas?
George tentou engolir em seco e não conseguiu. Parecia não haver
nada em sua garganta para lubrificá-la.
— Não totalmente — disse sem inflexão, e os olhos dela se fecharam.
Por favor que seja um desmaio, George pensou, por favor que ela tenha des...
Os olhos se abriram, inflamados. Uma das mãos se levantou e deu
cinco golpes no ar a centímetros do rosto dele — um pouco mais perto e
George estaria agora na Emergência, suturando o rosto, não fumando ci-garros com Júlio Estavez.
— CÊS NUM PASSA DUM MONTE DE BRANCO FIO DA
PUTA! — gritou ela. Seu rosto agora era monstruoso, os olhos cheios da própria luz do inferno. Não era sequer a face de um ser humano. — VOU
MATA CADA SAFADO BRANCO QUE EU VÊ! MÁ PRIMERO VÔ
CAPA! VÔ CORTA AS BOLA E CUSPI AS BOLA NA CARA DELES! VOU...
Uma loucura. Ela falava como uma caricatura de mulher, uma espécie
de Madame Butterfly cantando árias completamente loucas. Ela... ou aqui-lo... também parecia super-humano. A coisa estridente, que se contorcia na maca, não tinha apenas sido submetida a uma cirurgia improvisada por
um trem de metrô meia hora atrás. Ela mordia. Estendia repetidamente as garras contra ele. Vazava muco do nariz. Jorrava cuspe dos lábios. Imundície da boca.