A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Roland se contorceu e viu uma mulher cuja beleza era de tirar o
fôlego e a fúria de congelar o sangue.
— VENHAM CÁ, SUAS PUTAS!— gritava ela. — SÓ VENHAM
CÁ! VENHAM PEGÁ-LOS! SÓ QUE EU VOU ESTOURAR OS OLHOS DE VOCÊS PELA PORRA DO CU!
A mulher abateu uma terceira criatura que vinha rastejando depressa
entre as pernas imobilizadas de Eddie, pretendendo ao mesmo tempo comer
um pedaço dele e castrá-lo. Seus pedaços explodiram como uma bomba.
Roland havia suspeitado que aquelas coisas possuíam uma inteligên-
cia rudimentar; agora tinha a prova.
As outras estavam recuando.
O cão de um dos revólveres foi puxado para trás e logo a mulher fazia
em pedaços um dos monstros em retirada.
As demais avançaram para a água com rapidez ainda maior. Era como
se tivessem perdido o apetite.
Enquanto isso, Eddie estava sufocando.
Roland mexia na corda, o que só servia para cavar sulcos ainda mais
profundos no pescoço do outro. Via o rosto de Eddie passando devagar
do roxo ao preto. Eddie estava se debatendo cada vez menos.
Então as mãos de Roland foram empurradas por mãos mais fortes.
— Eu cuido disso. — Havia uma faca na mão dela... a faca de Roland.
Cuida de quê?, pensou Roland enquanto sua consciência falhava. Do que é que vai cuidar, agora que estamos os dois na sua mão?
— Quem é você? — perguntou ele com voz rouca enquanto uma
escuridão mais funda que a noite começava a levá-lo.
— Sou três mulheres — ouviu-a responder, e era como se ela estives-
se falando do alto de um poço profundo no qual ele estivesse caindo. — Eu que era; eu que não tinha o direito de ser, mas era; e sou a mulher que você salvou.
"Eu lhe agradeço, pistoleiro."
Ela o beijou, Roland percebeu, mas por um longo tempo depois disso
só percebeu a escuridão.