A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 21 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Atravessei. Estou na carruagem celeste, pensou o…

Atravessei. Estou na carruagem celeste, pensou o pistoleiro. E um segundo depois: Ele está me vendo no espelho!

Roland recuou — não saiu mas recuou, como uma criança se reti-

rando para o canto mais distante de uma sala muito comprida. Estava dentro da carruagem celeste; estava também dentro de um homem que

não era ele próprio. Dentro do Prisioneiro. Naquele primeiro momento, quando esteve próximo do front (não soube descrever a coisa de outro

modo), tinha estado mais do que dentro; tinha quase sido o homem. Sen-tiu o mal-estar dele, fosse lá qual fosse, e sentiu que ia vomitar. Roland percebeu que, se precisasse, poderia assumir o controle do corpo daquele

homem. Teria de sofrer suas dores, ser cavalgado por qualquer demônio-macaco que viajasse com ele, mas se precisasse podia tomar a rédea.

Ou poderia ficar ali encolhido, despercebido.

Quando o acesso de vômito do prisioneiro passou, o pistoleiro saltou

para a frente — desta vez indo direto para o front. Compreendia muito pouco daquela estranha situação e agir numa situação que não se compre-

ende é abrir caminho para as mais terríveis conseqüências, mas havia duas coisas que ele precisava saber — e precisava sabê-las tão desesperadamente que a necessidade era mais importante que quaisquer conseqüências que

pudessem advir.

Será que a porta que ele havia atravessado vindo de seu próprio mun-

do ainda estava lá?

E se estivesse, será que seu eu físico continuava no mesmo lugar, desmo-

ronado, oco, morrendo ou já morto sem sua consciência para fazer funcionar automaticamente pulmões, coração e nervos? Mesmo se seu corpo ainda vi-vesse, só poderia continuar assim até a noite cair. Então as lagostrosidades

apareceriam para fazer suas perguntas e procurar jantares à beira-mar.

Girou a cabeça, que por um momento foi a cabeça do homem, numa

rápida olhada para trás.

A porta ainda estava lá, atrás dele. Continuava se abrindo para aquele

mundo, onde as dobradiças se enterravam no aço daquele peculiar ba-nheiro. E sim, lá estava ele, Roland, o último pistoleiro, deitado de lado,

com a mão direita enfaixada em cima da barriga.