A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Ah, já temos muitos problemas —…
— Ah, já temos muitos problemas — disse ele. — Qual é o próximo,
Cimi?
Cimi lambeu os lábios. Não gostava de dar más notícias ao Patrão,
mesmo nas melhores circunstâncias, quem dirá numa...
— Bem — continuou ele, e lambeu novamente os lábios. — O
senhor sabe...
— Quer contar logo essa porra?— gritou Balazar.
19
O cabo com madeira de sândalo do revólver era tão liso que o primeiro
ato de Eddie depois de segurá-lo foi quase deixá-lo cair no chão. A coisa
era tão grande que parecia pré-histórica, tão pesada que ele achou que
teria de apontar com as duas mãos. O coice, pensou, é capaz de me jogar em
cheio contra a parede mais próxima. Isto é, se ele realmente detonar. Havia no
entanto uma parte dele que queria ter o revólver, que reagia à finalidade
perfeitamente expressa daquele objeto, que pressentia seu vago e sangren-
to histórico e queria ser parte dele.
Só os melhores atiradores tiveram esta coisinha nas mãos, pensou Eddie.
Pelo menos até agora.
— Está pronto? — perguntou Roland.
— Não, mas vamos lá — disse Eddie.
Ele agarrou o pulso esquerdo de Roland com a mão esquerda. Roland
passou o quente braço direito em volta dos ombros nus de Eddie.
Retornaram juntos pela porta, saindo da escuridão cheia de vento da
praia no mundo decadente de Roland para o frio clarão fluorescente do
banheiro particular de Balazar no Nossa Torre Inclinada.
Eddie piscou, ajustando os olhos à luz, e ouviu Cimi Dretto no cômo-
do ao lado. "Temos um problema", Cimi estava dizendo. Bem, alguns têm
mais problemas que outros, pensou Eddie, e nesse momento seus olhos se
fixaram no armário de remédios de Balazar. Fora deixado aberto. Em sua
mente, ouviu Balazar mandando Jack revistar o banheiro e ouviu Andolini
perguntar se havia algum lugar lá dentro que ele ainda não conhecesse. Balazar
demorara um pouco para responder. Há um pequeno painel no fundo do
armário de remédios, dissera ele. Guardo algumas coisas pessoais lá dentro.