A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Aeromoças do exército, respondeu a voz estranha. Está me entendendo?
Não tenho tempo para mastigar cada pensamento, prisioneiro!
— Do que você... — começou Eddie, mas logo fechou a boca. — Do
que você me chamou?
Não interessa. Só escute. O tempo é muito, muito curto. Elas sabem. As
aeromoças do exército sabem que você está carregando esta cocaína.
Como poderiam saber? Isso é ridículo!
Não sei como adquiriram este conhecimento e também não importa.
Uma delas contou aos condutores. Os condutores vão contar aos sacerdotes encarregados dessa cerimônia, dessa tal Passagem pela Alfândega...
A linguagem da voz em sua cabeça parecia completamente enigmáti-
ca, os termos tão fora de órbita que eram quase engraçados... mas a men-sagem chegou nítida e clara. Embora seu rosto continuasse impassível, os
dentes de Eddie se juntaram com um doloroso clique e ele puxou o ar por entre eles produzindo um assobiozinho.
A voz estava dizendo que o jogo havia acabado. Ele ainda nem saíra
do avião e o jogo já estava acabado.
Mas aquilo não era real. De modo algum podia ser real. Era apenas
sua mente fazendo um pequeno exercício de paranóia no último minuto,
só isso. Ele iria ignorá-la. Simplesmente ignorar e desemb...
Você NÃO vai ignorar ou vai para a prisão e eu vou morrer!, ressoou a voz.
Pelo amor de Deus, quem é você?, perguntou Eddie relutante, temero-
so, ouvindo alguém ou alguma coisa dentro de sua cabeça deixar escapar um profundo e barulhento suspiro de alívio.
10
Ele acredita, pensou o pistoleiro. Obrigado a todos os deuses que existem ou
já existiram, ele acredita!
11
O avião parou. A luz do APERTEM OS CINTOS se apagou. A passarela se esticou e atingiu a porta da frente com um baque suave. Eles tinham chegado.