A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 227 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Se a coisa fosse mágica e ela…

Se a coisa fosse mágica e ela matasse Eddie, Roland poderia ficar sa-

bendo de imediato. Se arruinasse o caminho dele para a torre, talvez esti-

vesse destruindo a única coisa que fazia sentido na vida do puto otário. E se descobrisse que não tinha mais nenhuma razão para continuar vivendo, o puto poderia fazer qualquer coisa. Para o puto não valeria

muito a pena continuar e ele seria capaz de qualquer coisa, porque o puto não daria mais a mínima para nada.

A idéia do que poderia acontecer se o Homem Realmente Mau vol-

tasse desse jeito fez Detta estremecer.

Mas se ela não pudesse matar Eddie, o que iria fazer? Poderia pegar o

revólver enquanto Eddie estivesse dormindo, mas quando o Homem Realmente Mau voltasse, será que poderia dar conta dos dois?

Simplesmente não sabia.

Seus olhos tocaram na cadeira de rodas, começaram a se afastar, depois

retrocederam, rápidos. Havia um bolso fundo no couro das costas da cadei-ra. Saindo de lá havia um laço da corda que tinham usado para amarrá-la.

Vendo aquilo, compreendeu como iria agir.

Detta mudou de direção e começou a rastejar para o corpo inerte do

pistoleiro. Pretendia tirar o que precisasse da mochila que ele chamava de

"bolsa", depois pegar a corda, o mais rápido que pudesse... mas por um momento sentiu-se imobilizada pela presença da porta.

Como Eddie, ela interpretava o que via em termos de cinema... só

que aquilo estava ficando mais parecido com um programa de reporta-gens policiais na TV. O cenário era uma drogaria. Via um farmacêutico tremendamente assustado e Detta entendia o lado dele, pois havia um

revólver apontado diretamente para seu rosto. O farmacêutico estava di-zendo alguma coisa, mas tinha a voz distante, distorcida. Era como se

Detta o ouvisse através de protetores de ouvido. Não conseguia distinguir as palavras. Também não conseguia ver quem estava segurando a arma, mas no fundo não precisava realmente ver quem era, não é? Sem dúvida

sabia quem era.

Era o Homem Realmente Mau.

Ali podia não estar muito parecido com sua verdadeira figura, podia

estar parecendo um rechonchudo saquinho de merda, podia até estar

parecido com um irmão de cor, mas por dentro era ele, sem dúvida. Não

demorou muito para achar outra arma, não é? Aposto que isso nunca foi

difícil para ele. Continue em frente, Detta Walker.

Abriu a bolsa de Roland e sentiu o aroma fraco, nostálgico do tabaco

que ficara muito tempo guardado ali (embora não restasse mais nada dele).

Em certo sentido, a mochila era muito parecida com uma bolsa de mulher,

cheia do que, à primeira vista, lembrava um amontoado de cosméticos...

mas uma olhada mais detida mostrava os apetrechos de viagem de alguém

preparado para enfrentar quase qualquer tipo de situação.

Acreditava que o Homem Realmente Mau estivesse realmente há

muito tempo a caminho de sua Torre. Era surpreendente a quantidade de

coisas que ainda havia ali, por mais pobre que fosse a aparência de algu-

mas delas.

Continue em frente, Detta Walker.