A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Achou que fossem túnicas, mas nunca vira…
Achou que fossem túnicas, mas nunca vira nenhuma como aquelas. As
coisas em volta dos pescoços podiam ser tanto laços quanto cachecóis,
mas nunca vira nenhum parecido com aqueles. E, ao que parecia, nin-
guém estava armado — não via punhais nem espadas, muito menos revól-
veres. Que espécie de gente dócil era aquela? Alguns liam papéis cobertos
de minúsculas palavras — palavras interrompidas aqui e ali com figuras — enquanto outros escreviam em outros papéis com penas de um tipo
que o pistoleiro jamais vira. Mas as penas o interessavam pouco. O im-
pressionante era o papel. Ele vivera num mundo onde papel e ouro valiam
praticamente a mesma coisa. Nunca vira tanto papel na vida. Naquele
exato momento um dos homens rasgava uma folha do bloco amarelo que
tinha sobre o colo e fazia uma bola com ela, embora só tivesse escrito na
metade superior de um lado e o outro estivesse completamente em bran-
co. O pistoleiro misturou a seu espanto uma pontada de horror e afronta
com aquela prodigalidade tão antinatural.
Atrás dos homens havia uma parede branca curva e uma fileira de
janelas. Algumas estavam tapadas por algum tipo de persiana, mas através
das outras ele pôde ver o céu azul.
Então uma mulher se aproximou da porta, uma mulher usando o
que parecia ser um uniforme militar, embora Roland jamais tivesse visto
um daquele tipo. Era muito vermelho e em parte formado por calças. Ele
podia ver o lugar onde as pernas dela se encontravam. Era algo que nunca
vira numa mulher que não estivesse sem roupa.
A moça chegou tão perto da porta que Roland achou que ela iria
atravessá-la e, cambaleante, recuou um passo, quase caindo. Ela o olhou
com a experiente solicitude de alguém que é ao mesmo tempo servidora e
senhora de si mesma, não de um homem. Isso de fato não interessou o
pistoleiro. O que despertou seu interesse foi que a expressão dela não se
alterou. Não era assim que se esperava que uma mulher — ou aliás qual-
quer pessoa — olhasse para um homem sujo, cambaleante e exausto, com
revólveres cruzados na cintura, um trapo encharcado de sangue enrolado
na mão direita e uma camisa que parecia ter sido cortada por uma moto-
serra.
— O senhor gostaria de... — perguntou a mulher de vermelho. Ela
disse mais, só que o pistoleiro não entendeu exatamente o que significava.