A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 16 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Achou que fossem túnicas, mas nunca vira…

Achou que fossem túnicas, mas nunca vira nenhuma como aquelas. As

coisas em volta dos pescoços podiam ser tanto laços quanto cachecóis,

mas nunca vira nenhum parecido com aqueles. E, ao que parecia, nin-

guém estava armado — não via punhais nem espadas, muito menos revól-

veres. Que espécie de gente dócil era aquela? Alguns liam papéis cobertos

de minúsculas palavras — palavras interrompidas aqui e ali com figuras — enquanto outros escreviam em outros papéis com penas de um tipo

que o pistoleiro jamais vira. Mas as penas o interessavam pouco. O im-

pressionante era o papel. Ele vivera num mundo onde papel e ouro valiam

praticamente a mesma coisa. Nunca vira tanto papel na vida. Naquele

exato momento um dos homens rasgava uma folha do bloco amarelo que

tinha sobre o colo e fazia uma bola com ela, embora só tivesse escrito na

metade superior de um lado e o outro estivesse completamente em bran-

co. O pistoleiro misturou a seu espanto uma pontada de horror e afronta

com aquela prodigalidade tão antinatural.

Atrás dos homens havia uma parede branca curva e uma fileira de

janelas. Algumas estavam tapadas por algum tipo de persiana, mas através

das outras ele pôde ver o céu azul.

Então uma mulher se aproximou da porta, uma mulher usando o

que parecia ser um uniforme militar, embora Roland jamais tivesse visto

um daquele tipo. Era muito vermelho e em parte formado por calças. Ele

podia ver o lugar onde as pernas dela se encontravam. Era algo que nunca

vira numa mulher que não estivesse sem roupa.

A moça chegou tão perto da porta que Roland achou que ela iria

atravessá-la e, cambaleante, recuou um passo, quase caindo. Ela o olhou

com a experiente solicitude de alguém que é ao mesmo tempo servidora e

senhora de si mesma, não de um homem. Isso de fato não interessou o

pistoleiro. O que despertou seu interesse foi que a expressão dela não se

alterou. Não era assim que se esperava que uma mulher — ou aliás qual-

quer pessoa — olhasse para um homem sujo, cambaleante e exausto, com

revólveres cruzados na cintura, um trapo encharcado de sangue enrolado

na mão direita e uma camisa que parecia ter sido cortada por uma moto-

serra.

— O senhor gostaria de... — perguntou a mulher de vermelho. Ela

disse mais, só que o pistoleiro não entendeu exatamente o que significava.