A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 160 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— Não há descontinuidade na sua consciência. Na minha, a

— Que diferença?

— Não há descontinuidade na sua consciência. Na minha, a

descontinuidade é enorme.

 

— Não entendo.

— Quero dizer que você tem perfeita noção do transcorrer do tempo

— disse Odetta. — As histórias que você conta progridem de um ponto a

outro: o avião, a entrada disso... daquilo... dele...

Com evidente mal-estar, ela meneou a cabeça para a encosta das

montanhas.

— O problema de se livrar das drogas, os agentes que o levaram em

custódia, tudo é uma história fantástica, mas sem elos perdidos. Quanto a mim, eu voltei de Oxford, Andrew, meu motorista, veio ao meu encontro e me levou para casa. Tomei banho, queria dormir... Estava sentindo um

terrível início de enxaqueca e o sono é o único remédio que dá algum resultado nas enxaquecas realmente graves. Como era quase meia-noite, tive vontade de ver o noticiário antes de me deitar. Alguns tinham sido

libertados, mas muitos ainda estavam detidos quando partimos. Eu queria saber se seus casos tinham sido resolvidos.

"Eu me enxuguei, vesti o roupão e fui para a sala. Liguei a tevê no

noticiário. O locutor começou a falar sobre um discurso que Krushchev

tinha acabado de fazer sobre os conselheiros americanos no Vietnã.

Krushchev disse: "Temos um documento filmado do...", e então ele sim-

plesmente desapareceu e me vi rolando em minha cadeira por esta praia.

Você diz que me viu atravessar uma espécie de porta mágica que agora

sumiu, que eu estava na Macy's e que estava roubando. Tudo isso é bas-

tante absurdo, porque mesmo que eu estivesse disposta a roubar poderia

ter procurado algo melhor do que bijuterias. Não uso qualquer tipo de

jóias.

— É melhor olhar de novo para suas mãos, Odetta — disse Eddie

em voz baixa.

Por um bom tempo o olhar dela passou do "diamante" no dedo mí-

nimo da mão esquerda, muito grande e vulgar para lembrar qualquer ou-

tra coisa além de vidro, à grande opalina no terceiro dedo da mão direita,

muito grande e vulgar para parecer efetivamente real.

— Nada disto está acontecendo — ela repetiu com firmeza.