A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 123 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

O pistoleiro poderia ter levantado a subtraída…

O pistoleiro poderia ter levantado a subtraída mão direita e dito: Pense

você mesmo no que isto significa, seu tolo idiota, mas seria tão estúpido fazer

este comentário quanto perguntar por que tinha de estar acontecendo com

Eddie, dentre todas as pessoas em todos os universos que pudessem existir.

— Isso é ka — disse ele, encarando pacientemente Eddie.

— O que é ka? — O tom de Eddie foi truculento. — Nunca ouvi

falar. Só sei que se disser duas vezes vira a palavra que os bebês usam para

merda.

— Não sei do que está falando — disse o pistoleiro. — Ka significa

dever, destino ou, num sentido popular, o lugar para onde se tem de ir.

Eddie conseguiu parecer deprimido, irritado e divertido, tudo ao

mesmo tempo.

— Então diga duas vezes, Roland, porque palavras como essa

continuam soando como merda para este garotão.

— Não discuto filosofia — disse o pistoleiro dando de ombros. —

Não estudo história. Tudo que sei é que o que é passado é passado e o que

está à frente está à frente. O segundo é o ka, que cuida de si mesmo.

— Sério? — Eddie olhava para o norte. — Bem, o que vejo à frente

é só uns nove bilhões de milhas desta mesma porra de praia. Se é isso o que

está à frente, ka e kaka são a mesma coisa. Podemos ter um número sufi-

ciente de balas boas para explodir o nariz de mais cinco ou seis daquelas

lagostas, mas depois vamos ficar caídos na ponta das rochas olhando para

elas. Para onde você acha que estamos indo? Por um instante, Roland teve

de fato vontade de saber se Eddie nunca pensara em fazer perguntas

desse gênero ao irmão, por mais que perguntas do gênero pudessem

também ser convites para muita discussão sem sentido. Ele só levantou

um polegar para o norte e disse:

— Para lá. Começamos por lá.

Eddie olhou e não viu nada além daquela extensão de praia salpicada

de conchas e pedrinhas cinzentas. Tornou a olhar para Roland, pronto

para zombar dele. Tornou a olhar de novo, ao ver a serena convicção em

seu rosto. Olhou para a frente e estreitou os olhos. Com a mão direita,

protegeu o lado direito do rosto do sol poente. Queria desesperadamente

ver alguma coisa, qualquer coisa, merda, até uma miragem servia, mas não

havia nada.