A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Eddie pediu um gim-tônica — talvez não…
Eddie pediu um gim-tônica — talvez não fosse uma idéia assim tão boa
passar pela alfândega de Nova York bêbado, e ele sabia que, uma vez que
houvesse começado, continuaria em frente —, mas tinha de ter alguma
coisa.
Quando você resolve descer e não encontra o elevador, dissera Henry um
dia, arranje uma coisa qualquer que leve para baixo. Mesmo que precise abrir
o chão com uma pá.
Então, depois de ter feito o seu pedido e visto a aeromoça se afastar,
achou que talvez fosse vomitar. Não que certamente ia vomitar, só talvez,
mas era melhor ter certeza. Passar pela alfândega com meio quilo de cocaí-
na pura embaixo de cada axila e com o hálito cheirando a gim não era lá
muito bom; passar pela alfândega desse jeito e ainda com vômito secando
na calça seria um desastre. Por isso era melhor garantir. Provavelmente, a
sensação iria passar, geralmente passava, mas era melhor ter certeza.
O problema era que a fissura estava começando. Uma fissurinha. Mais
palavras de sabedoria de Henry Dean, aquele eminente sábio e tremendo
maluco.
Eles estavam sentados na varanda da cobertura do Regency Tower,
não exatamente cochilando, mas quase isso, com o sol queimando seus
rostos, uma sensação muito gostosa... como nos velhos tempos, quando
Eddie mal havia começado a cheirar pó e o próprio Henry ainda não tinha
pegado sua primeira agulha.
Todo mundo fala de fissura, tinha dito Henry, mas antes de chegar lá
você tem que ter uma fissurinha.
E Eddie, muito doido, tinha rido loucamente, pois sabia muito
bem do que Henry estava falando. Henry, porém, não dera mais que um
sorriso.
Até certo ponto, a fissurinha é pior do que a fissura, disse Henry. Pelo menos
na fissura você SABE que vai vomitar, SABE que vai tremer, SABE que vai suar até
ficar com a sensação de estar se afogando. A fissurinha é mais ou menos o tormento da
espera.
Eddie se lembrou de ter perguntado a Henry como se dizia quando um
cara que se picava (em que, naqueles tempos remotos e idos que não