A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 19 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Eddie pediu um gim-tônica — talvez não…

Eddie pediu um gim-tônica — talvez não fosse uma idéia assim tão boa

passar pela alfândega de Nova York bêbado, e ele sabia que, uma vez que

houvesse começado, continuaria em frente —, mas tinha de ter alguma

coisa.

Quando você resolve descer e não encontra o elevador, dissera Henry um

dia, arranje uma coisa qualquer que leve para baixo. Mesmo que precise abrir

o chão com uma pá.

Então, depois de ter feito o seu pedido e visto a aeromoça se afastar,

achou que talvez fosse vomitar. Não que certamente ia vomitar, só talvez,

mas era melhor ter certeza. Passar pela alfândega com meio quilo de cocaí-

na pura embaixo de cada axila e com o hálito cheirando a gim não era lá

muito bom; passar pela alfândega desse jeito e ainda com vômito secando

na calça seria um desastre. Por isso era melhor garantir. Provavelmente, a

sensação iria passar, geralmente passava, mas era melhor ter certeza.

O problema era que a fissura estava começando. Uma fissurinha. Mais

palavras de sabedoria de Henry Dean, aquele eminente sábio e tremendo

maluco.

Eles estavam sentados na varanda da cobertura do Regency Tower,

não exatamente cochilando, mas quase isso, com o sol queimando seus

rostos, uma sensação muito gostosa... como nos velhos tempos, quando

Eddie mal havia começado a cheirar pó e o próprio Henry ainda não tinha

pegado sua primeira agulha.

Todo mundo fala de fissura, tinha dito Henry, mas antes de chegar lá

você tem que ter uma fissurinha.

E Eddie, muito doido, tinha rido loucamente, pois sabia muito

bem do que Henry estava falando. Henry, porém, não dera mais que um

sorriso.

Até certo ponto, a fissurinha é pior do que a fissura, disse Henry. Pelo menos

na fissura você SABE que vai vomitar, SABE que vai tremer, SABE que vai suar até

ficar com a sensação de estar se afogando. A fissurinha é mais ou menos o tormento da

espera.

Eddie se lembrou de ter perguntado a Henry como se dizia quando um

cara que se picava (em que, naqueles tempos remotos e idos que não