A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
a sensação, que não o largava, de…
a sensação, que não o largava, de que o garoto ia fodê-lo, com Andolini ou sem Andolini) quando ouviu Eddie tão nitidamente quanto Eddie, sem a
menor dúvida, ouvira a ele e a Cimi.
— Mataram meu irmão — disse o garoto.
Então Balazar não se importou mais com sua mercadoria, com as
perguntas não respondidas ou com qualquer outra coisa. Queria apenas
dar um fim naquela situação antes que ela pudesse se tornar ainda mais estranha.
— Mate-o, Jack — gritou ele.
Não houve resposta. Então ele ouviu o garoto repetir:
— Mataram meu irmão. Mataram o Henry.
Balazar de repente soube — soube — que não era com Jack que o
garoto estava falando.
— Traga todos os cavalheiros — disse a Cimi. — Todos eles. Vamos
enfiar uma bala no cu dele. Quando estiver morto, vamos levá-lo até a
cozinha e eu mesmo vou cortar sua cabeça.
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— Mataram meu irmão — dizia o prisioneiro. O pistoleiro não dizia nada. Só observava e pensava: Os frascos. Na pia. É o que eu preciso ou o
que ele acha que preciso. Os remédios. Não esqueça. Não esqueça. Do outro cômodo:
— Mate-o, Jack!
Nem Eddie nem o pistoleiro deram a menor importância àquilo. — Mataram meu irmão. Mataram o Henry.
No outro cômodo, Balazar estava agora falando sobre ficar com a
cabeça de Eddie como troféu. O pistoleiro achou um estranho conforto nisso: ao que parecia, nem tudo naquele mundo era diferente do seu.
O tal de Cimi começou a gritar asperamente pelos outros. Houve
um nada cavalheiresco estrondo de pés correndo.
— Quer tomar alguma providência ou vai só ficar parado aqui? —
perguntou Roland.
Ah, quero tomar uma providência — disse Eddie, erguendo o revólver que o pistoleiro lhe dera. Embora momentos atrás tivesse
achado que ia precisar das duas mãos para manejar a arma, achou
que poderia lidar muito facilmente com ela.
— E qual é a providência que pretende tomar? — perguntou Roland,
e sua voz pareceu distante a seus próprios ouvidos. Estava doente, ardendo
em febre, mas o que agora estava lhe acontecendo era o início de uma
febre diferente, uma febre que lhe era demasiado familiar. A febre que o
dominara em Tull. O fogo da batalha, turvando todo pensamento,
deixando apenas a necessidade de parar de pensar e começar a disparar.
— Ir para a guerra — respondeu Eddie Dean calmamente.
— Acho que não sabe do que está falando — disse Roland —, mas
vai descobrir. Quando atravessarmos a porta, ataque com a direita. Tenho
de agir com a esquerda. Minha mão.
Eddie abanou a cabeça. Eles foram para a guerra.