A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 27 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Achei ele bonitinho. Principalmente por causa dos…

Achei ele bonitinho. Principalmente por causa dos olhos. Os olhos cor de

avelã.

Mas um momento atrás, quando o homem da poltrona 3A tinha

aberto os olhos, eles não eram mais cor de avelã; eram azuis. Não de um azul levemente sensual como os olhos de um Paul Newman, mas do tom

de icebergs. Eles...

— Ai!

O fósforo tinha alcançado seus dedos . Ela o sacudiu e jogou fora. — Jane? — perguntou Paula. — Tudo bem com você?

— Tudo ótimo. Estava só sonhando acordada.

Acendeu outro fósforo e dessa vez fez direito. Tinha dado apenas

uma tragada quando a explicação perfeitamente razoável lhe ocorreu. Ele usava lentes de contato. É claro. Do tipo que muda a cor dos olhos. Havia

entrado no banheiro. Demorara o tempo suficiente para ela achar que pudesse estar enjoado e vomitando — tinha aquele tom pálido, o ar de alguém que não estava se sentindo muito bem. Mas ele só fora ao banhei-

ro tirar as lentes de contato para poder cochilar mais confortavelmente. Perfeitamente razoável.

Você pode sentir alguma coisa, disse de repente uma voz de seu não-

tão-distante passado. Uma cosquinha. Pode ver que há alguma coisa que não está de todo certa.

Lentes de contato coloridas.

Jane Dorning conhecia pessoalmente umas duas dúzias de pessoas

que usavam lentes de contato. A maioria trabalhava na companhia aérea. Ninguém jamais fez qualquer comentário, mas ela achava que isso se devia

à percepção de que os passageiros não gostavam de ver o pessoal de vôo usando óculos — óculos os deixavam nervosos.

De todas aquelas pessoas, conhecia talvez umas quatro que usavam

lentes coloridas. Lentes de contato comuns eram caras; lentes coloridas custavam uma fortuna. Dentre os conhecidos de Jane, quem se dispunha

a gastar tanto dinheiro assim eram mulheres, todas extremamente vaidosas.

E daí? Caras podem ser vaidosos, também. Por que não? Ele é bonito. Não. Bonito não. Atraente, talvez, mas era o máximo que ela podia

dizer, e com aquele ar pálido ele só escapava de ser feio por um triz. Então por que as lentes coloridas?