A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 163 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Capitulo 4 · Detta do Outro Lado

 

 

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Você deve ficar de guarda, disse o pistoleiro e Eddie havia concordado, mas

o pistoleiro sabia que Eddie não sabia muito bem do que ele estava falan-do; toda a metade de trás da mente de Eddie, onde a sobrevivência tem êxito ou não, deixara de captar a mensagem.

O pistoleiro viu isso.

Foi uma boa coisa para Eddie ele ter percebido.

 

No meio da noite, os olhos de Detta Walker se abriram de repente. Esta-vam cheios do brilho das estrelas e cheios de clara percepção.

Ela se lembrava de tudo: de como os enfrentara, de como a tinham

amarrado na cadeira, de como tinham zombado dela, chamando-a crioulaputa, crioulaputa.

Lembrava-se dos monstros saindo das ondas e lembrava de como um dos homens - o mais velho — matara um dos monstros. O mais novo acendera uma fogueira, cozinhara o monstro e, sorrindo, lhe oferecera carne de

monstro fumegante no espeto. Ela se lembrava de ter cuspido no rosto dele, lembrava-se do sorriso se convertendo numa irada careta branca. Ele havia lhe batido no rosto e dito: Bem, está muito bem, você vai mudar de idéia,

crioulaputa. Tenha certeza que vai. Então ele e o Elemento Realmente Mau tinham rido e o Homem Realmente Mau comera um pedaço do lombo que havia posto no espeto e cozinhado devagar na fogueira, ali no litoral daquele

lugar estranho para onde a haviam levado.

O cheiro da carne sendo lentamente assada era apetitoso, mas ela não

dera sinal de satisfação. Mesmo quando o mais jovem sacudiu um pedaço

perto de seu rosto, cantando Morda isso, crioulaputa, pode morder isto, con-tinuou imóvel como pedra, mantendo-se firme.

Depois dormira e agora estava acordada. As cordas com que fora

amarrada haviam sumido. Não estava mais em sua cadeira mas estendida

num cobertor e debaixo de outro, bem longe dos limites da maré alta, onde as coisas-lagostas continuavam perambulando, fazendo suas perguntas

e interrompendo o vôo de uma solitária e infeliz gaivota.

Ela olhou para a esquerda e não viu nada.

Olhou para a direita e viu dois homens dormindo enrolados em duas

pilhas de cobertores. O mais novo estava mais próximo e o Homem Real-

mente Mau tirara os cinturões dos revólveres e os depositara a seu lado.

Os revólveres continuavam nos cinturões.

Cometeu um tremendo erro, chifrudo, pensou Detta, rolando para a

direita. O raspão e o chiado de seu corpo na areia eram inaudíveis sob o vento, as ondas, as criaturas indagadoras. Ela rastejou devagar pela areia (como se fosse uma das lagostrosidades), os olhos brilhando.

Estendeu a mão para os cinturões e puxou um dos revólveres. Era muito pesado, o cabo liso e particularmente letal em sua mão. 0

peso não a incomodava. Eram fortes os braços de Detta Walker, sem dú-

vida eram.

Ela rastejou um pouco mais.

O homem mais novo não era mais que uma pedra que roncava,

mas o Homem Realmente Mau se mexeu um pouco no sono e ela ficou imóvel, o rosnado despontando entre os dentes até ele se aquietar de novo.

O cara é um safado fiodaputa. Ti cuida, Detta. Presta atenção, ti cuida. Encontrou o pino que soltava o tambor, tentou empurrá-lo para cima,

nada aconteceu, então puxou-o para baixo. O tambor estava solto.

Carregado! Incrível, carregado! Primeru tu pega u pica moli du más

novo. Quandu aquele Homem Realmente Mau acordar tu mostra pra ele um