A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Gosto muito de você, Eddie. Vem…
— Gosto muito de você, Eddie. Vem tentando muito me ajudar.
Tem sido tão paciente. E ele também... — Odetta apontou a cabeça para
onde o pistoleiro continuava apoiado nas rochas, vigiando. — ...mas Roland não é um homem fácil de se gostar.
— Sim, sei que não é.
— Mas vou tentar mais uma vez... Por você.
Odetta sorriu e Eddie teve a impressão de que tudo no mundo se
movimentava por ela, por causa dela e pensou: Por favor, Deus, nunca consegui muita coisa, por isso por favor não a tire novamente de mim. Por
favor.
Ela pegou os pedaços de carne de lagosta, torceu o nariz com uma
expressão deprimida, cômica, e ergueu os olhos para Eddie.
— Tenho de comer?
— Só uma mordida — disse Eddie.
— Há muito tempo não como escalope — disse ela.
— Como?
— Achei que já tinha lhe dito.
— Pode ter dito — disse Eddie, dando um sorrisinho nervoso. O
que o pistoleiro tinha dito sobre não deixar a Dama saber da outra surgiu naquele momento em letras bem grandes dentro de sua mente.
— Jantamos lagostas uma noite — disse ela —, quando eu tinha dez
ou 11 anos. Detestei o sabor, pareciam bolinhas de borracha. Mais tarde vomitei tudo. Nunca mais voltei a comê-las. Mas... — Ela suspirou. —
Como você diz, vou "dar uma mordidinha".
Pôs um pedaço na boca como uma criança tomando uma colher de
remédio cujo gosto acha nojento. Odetta começa mastigando devagar,
depois mais depressa. Engole. Pega outro pedaço. Mastiga, engole. Outro. Agora já está quase devorando a comida.
— Ei, vá devagar! — disse Eddie.
— Deve ser outra espécie. Quero dizer, não há dúvida que é! — Ela
encarou Eddie com olhos brilhantes. — Avançamos mais pela praia e a espécie mudou! Parece que não sou mais alérgica! Não tem um sabor
nojento, como acontecia antes... e eu realmente não conseguia fazer com que parasse no estômago. — Ela atirou-lhe um olhar franco. — Eu realmente tentava.