A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Começou a estender a mão direita —…
Começou a estender a mão direita — ah, era tão complicado desco-
brir seu novo lugar no que restava da vida dele —, deixou-a cair e ergueu
a esquerda. Tateou, na expectativa de encontrar uma forte resistência.
Mas posso também bater no vazio, pensou o pistoleiro. Seria uma coisa
interessante para fazer antes de morrer!
Sua mão encontrou ar puro passando bem no lugar onde a porta —
mesmo que invisível — deveria estar.
Nada para bater.
E o som dos motores — se era mesmo o que parecia ser — cessara.
Agora havia apenas o vento, as ondas e o mórbido zumbido dentro de sua
cabeça.
O pistoleiro voltou devagar para o outro lado do que não estava lá, já
acreditando que fora tudo uma alucinação, uma...
Parou.
Estava olhando para oeste, para a imagem contínua de uma onda
cinzenta, quebrando, e de repente sua visão foi interrompida pela espessu-ra da porta. Viu a placa da fechadura, que parecia de ouro, com a maçane-ta se projetando como uma atarracada língua metálica. Roland moveu um
centímetro a cabeça para o norte e a porta desapareceu. Moveu-a de novo para o ponto anterior e a porta novamente estava lá. Ela não apareceu; simplesmente estava lá.
Contornou outra vez a porta e encarou-a, cambaleando. Podia contorná-la pelo lado do mar, mas estava convencido de que
aconteceria a mesma coisa, só que dessa vez ele cairia nas pedras.
Será que posso atravessá-la partindo do lado da sombra? Ah, havia muitas perguntas, mas a verdade era simples: lá estava a
porta sozinha numa interminável extensão de praia e ela só servia para uma das duas seguintes coisas: ser aberta ou ser deixada fechada.
O pistoleiro percebeu com humor sombrio que talvez não estivesse
morrendo tão depressa quanto pensou. Se estivesse, teria tempo de se es-pantar com aquela porta?
Estendeu o braço e segurou a maçaneta com a mão esquerda. Nem o
frio glacial do metal nem o brilho fino, mas intenso, das runas gravadas sobre ele o surpreenderam.
Girou a maçaneta. A porta se abriu em sua direção quando ele puxou.