A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Pouco antes do APERTEM OS CINTOS e dos procedimentos fi-
nais, ela fez uma coisa que nunca tinha feito antes; executou-a com a
instrutora matrona e durona na cabeça. Encheu uma garrafa térmica com café quente e pôs a tampa de plástico vermelho sem primeiro tam-par o gargalo da garrafa. Girou a tampa até sentir o encaixe no final da
rosca. Susy Douglas estava comunicando a aproximação final, mandando os passageiros apagarem os cigarros, pedindo que deixassem as cadeiras na posição vertical, dizendo que haveria um funcionário da Delta à sua
disposição no portão de desembarque, pedindo que tivessem à mão as declarações de bagagem e documentos de identificação, dizendo que agora todas as xícaras, copos e fones de ouvido teriam de ser devolvidos.
Incrível que não se tenha de pedir para verificarem se estão vestidos,
pensou Jane distraidamente, sentindo seu próprio fio de aço se enrolar ao redor das tripas, apertando com força.
— Fique na minha poltrona — disse Jane quando Susy pousou o
microfone.
Susy olhou para a garrafa térmica, depois para o rosto de Jane. — Jane? Você está bem? Está branca como...
— Não estou sentindo nada. Fique na minha poltrona. Depois eu
explico. — Jane indicou brevemente o assento ao lado da porta de emergência do lado esquerdo. — Prefiro ficar na frente.
— Jane...
— Fique no meu lugar.
— Tudo bem — disse Susy. — Tudo bem, Jane. Sem problema.
Jane Dorning sentou-se na poltrona mais próxima do corredor. Se-
gurava a garrafa térmica e não fez qualquer gesto para apertar o cinto. Queria conservar completo controle sobre a garrafa e isso significava não
deixar um só instante de segurá-la com ambas as mãos.
Susy está pensando que eu pirei.
Jane esperava que fosse isso.
Se o capitão McDonald aterrissar de mau jeito e a garrafa abrir, vou
ficar com as mãos cobertas de bolhas.
Iria arriscar.
O avião estava baixando. O homem na 3A, o homem com os olhos
de dois tons e rosto pálido, se abaixou e tirou a mala de mão de baixo da poltrona.
É ali, Jane pensou. É ali que está levando a granada, a arma automáti-
ca ou seja lá o que for.
E no instante em que visse a coisa, no exato instante, ela tiraria a
tampa vermelha da garrafa com as mãos ligeiramente trêmulas e deixaria um Amigo de Alá muito espantado, rolando pelo chão do corredor do vôo
901 da Delta enquanto a pele do seu rosto queimava.
O 3A puxou o zíper da sacola.
Jane se preparou.