A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 217 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Jack cruzou o aposento e atirou num…

Jack cruzou o aposento e atirou num canto a cadeira que estivera sob

a maçaneta (havia chutado a outra — aquela onde ficara sentado — para

o lado). Levantando o moletom, tirou uma bandana do bolso de trás da calça. Usou-a para girar a maçaneta.

Não deveria haver impressões digitais.

Só retardados deixavam digitais.

Tornou a enfiar a bandana no bolso de trás no momento em que

escancarou a porta. E enquanto descia o corredor, assumiu um certo porte de bêbado. Não olhava para os lados.

Olhar para os lados também era coisa de retardado.

Espertos sabiam que tentar ver se alguém estava reparando era um

meio certo de fazer isso acontecer. Ter visto alguém se virar era o tipo de

coisa que uma testemunha poderia lembrar depois de um acidente. Aí um tira espertalhão poderia concluir que se tratava de um acidente suspeito, e haveria investigação. Tudo graças a uma olhadela nervosa para o lado.

Jack, porém, não acreditava que alguém conseguisse conectá-lo com o crime, mesmo se concluíssem que fosse um "acidente" suspeito e houvesse investigação, mas...

Só assuma riscos aceitáveis. E procure minimizar os outros. Em outras

palavras, escore sempre a maçaneta com uma cadeira.

E assim ele foi descendo o corredor poeirento onde os descascados de

tinta se sucediam no revestimento das paredes. Ia de cabeça baixa, resmun-gando sozinho como os vagabundos que andam pela rua. Ainda conseguia

ouvir a mulher — a mãe da menininha, ele supôs — aos gritos. Era um barulho que vinha da frente do prédio; fraco, sem importância. Todas as coisas que aconteciam depois — os gritos, a confusão, os gemidos do feri-

do (se o ferido ainda fosse capaz de gemer) — não eram coisas que importa-vam para Jack. O que importava era o fato que ele introduzira a mudança no curso habitual das coisas e esculpira novas linhas no fluxo das vidas...

Talvez não apenas nos destinos daqueles diretamente atingidos, mas nas vidas de crescentes círculos humanos em torno deles, como as ondulações que uma pedra provoca ao ser atirada na superfície tranqüila de um lago.

Quem iria dizer que ele não havia esculpido o cosmos naquele dia ou

que não seria capaz de voltar a esculpi-lo em algum tempo futuro?

Meu Deus, não era de admirar que ele gozasse no jeans!