A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Tudo bem — disse. — Estou…
— Tudo bem — disse. — Estou vendo. Você deve ter olhos como os
do Super-homem.
— Quem?
— Esqueça. Você é um exemplo realmente grave de hiato cultural,
sabia?
— Quê?
— Esqueça. — Eddie riu. — O que é aquilo?
— Você vai ver. — O pistoleiro retomou a marcha antes que Eddie
pudesse perguntar mais alguma coisa.
Vinte minutos depois, Eddie achou que realmente estava vendo.
Quinze minutos a mais e teve certeza. O objeto na praia ainda estava a
mais de três, talvez cinco quilômetros de distância, mas ele já sabia o que
era. Uma porta, é claro. Outra porta.
Nenhum dos dois dormiu bem naquela noite e estavam de pé, e
em marcha, uma hora antes de o sol clarear as encostas das montanhas
corroídas pela erosão. Atingiram a porta assim que os primeiros raios
do sol da manhã, tão belo e tão brando, irromperam sobre eles. Os
raios iluminaram como lampiões os rostos ásperos dos dois. Deixaram
o pistoleiro de novo com quarenta anos, e Eddie da idade que Roland
tinha quando saiu para enfrentar Cort levando o falcão David como
sua arma.
A porta era exatamente igual à primeira, só mudava o que estava
escrito nela:
A DAMA DAS SOMBRAS
— Pois é — disse Eddie em voz baixa, contemplando a porta que lá esta-
va, as dobradiças apoiadas em algum desconhecido umbral entre um mundo
e outro, um universo e outro. Lá estava ela com sua mensagem gravada,
real como pedra e estranha como a luz das estrelas.
— Pois é — concordou o pistoleiro.
— Ka.
— Ka.
— É de onde vai escolher o segundo dos seus três.
— Parece que sim.