A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Bom, mas que surpresa! — Detta…
— Bom, mas que surpresa! — Detta havia gritado tanto que agora
havia momentos em que sua voz desaparecia quase inteiramente,
tornando-se não mais que um murmúrio estranho, como o vento do
inverno sob uma porta. — Achei que já tinha morrido, Senhor Homem!
Roland ia lentamente ficando de pé. Parecia se mexer como alguém
movendo os pés nos degraus de uma escada invisível. Eddie sentiu uma
espécie de piedade irritada, o que lhe sugeria uma emoção conhecida, sin-
gularmente nostálgica. Compreendeu logo depois. Era como quando ele e
Henry viam as lutas na tevê e um lutador socava o outro, socava-o terrivel-
mente, repetidas vezes, e os espectadores gritavam pedindo mais e Henry
gritava pedindo mais. Eddie, no entanto, ficava imóvel, sentindo aquela
piedade irritada, aquele entorpecedor mal-estar; ficava imóvel mandando
ondas de pensamento para o juiz. Pare a luta, homem, porra você está cego?
Ele está morrendo ali! MORRENDO! Pare a porra da luta!
Não havia meio de parar aquela luta.
Roland encarou Detta por entre olhos intensamente febris.
— Muita gente já imaginou que eu tivesse morrido. — Olhou para
Eddie. — Está pronto?
— Sim, acho que sim. E você?
— Estou.
— Vai conseguir?
— Vou.
Continuaram andando.
Por volta das dez horas, Detta começou a esfregar as têmporas com
os dedos.
— Parem — disse ela. — Não estou me sentindo bem. Acho que
vou vomitar.
— Provavelmente por causa da grande refeição que fez ontem à
noite — disse Eddie, e continuou empurrando a cadeira. — Deveria ter
dispensado a sobremesa. Eu lhe disse que aquela torta de chocolate ia
pesar.
— Vou vomitar! Vou...
— Pare, Eddie! — disse o pistoleiro.
Eddie parou.