A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Pegue minha bolsa.
Eddie obedeceu. Susannah se mexeu e Eddie parou, o rosto reduzido
a superfícies vermelhas e sombras negras ante as brasas que se extinguiam na fogueira. Quando a viu novamente se esticar, tranqüila, deu a bolsa a Roland.
Roland remexeu na bolsa, agora pesada com a munição daquele ou-
tro mundo. Não foi nada difícil achar o que queria no que restava de sua
vida.
O maxilar.
O maxilar do homem de preto.
— Vamos ficar aqui um pouco — disse ele — e eu vou ficar bom. — Vai saber quando é a hora de partir?
Roland sorriu um pouco. Os tremores estavam diminuindo, o suor
secando na brisa fria da noite. Mas ainda via em sua mente aquelas figuras, aqueles cavaleiros, amigos, amantes e inimigos de antigamente, circulan-
do de um lado para o outro, aparecendo brevemente naquelas janelas e depois sumindo; via a sombra da Torre em que estavam enclausurados despontar escura e comprida numa planície coberta de sangue, morte e
terríveis provações.
— Eu não — disse ele virando a cabeça para Susannah. — Mas ela
vai.
— E depois?
Roland suspendeu o maxilar de Walter.
— Isto um dia já falou.
Olhou para Eddie.
— Vai falar de novo.
— É perigoso. — O tom de Eddie foi seco.
— É .
— Não só para você.
— Não.
— Eu amo essa mulher, cara.
— É.
— Se você a machucar...
— Vou fazer o que for preciso — disse o pistoleiro.
— E nós não importamos? É isso?