A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 6 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

O pistoleiro acordou assustado, sacudindo a mão mutilada para

alguma coisa, certo de que a qualquer momento uma daquelas monstruosas criaturas de carapaça do mar Ocidental cairia sobre

ele, fazendo desesperadas indagações em sua língua desconhecida

enquanto lhe arrancava o rosto do crânio.

Em vez disso um pássaro marinho, atraído pela cintilação do

sol da manhã nos botões da sua camisa, rodopiou e foi embora com

um grasnido assustado.

Roland se sentou.

Sua mão se agitava miseravelmente, sem parar. O pé direito

fazia o mesmo. Ambos os dedos da mão e o dedo do pé continuavam a insistir que estavam lá. A parte de baixo da camisa

havia desaparecido; o que sobrava lembrava uma camiseta

esfarrapada. Ele havia usado um pedaço para amarrar a mão, outro para amarrar o pé.

Vão embora, disse ele para as partes ausentes de seu corpo.

Vocês são fantasmas agora. Vão embora.

Isso ajudou um pouco. Não muito, mas um pouco. Eram

fantasmas, tudo bem, mas fantasmas vivos.

O pistoleiro comeu charque. A boca não a queria muito, o

estômago ainda menos, mas ele insistiu. Quando a carne chegou lá

dentro, sentiu-se um pouco mais forte. Mas não sobrava muita carne; estava quase no fim.

Mas coisas tinham de ser feitas.

Levantou-se um tanto cambaleante e olhou em volta.

Pássaros subiam, mergulhavam, o mundo parecia só pertencer a ele

e aos pássaros. As monstruosidades tinham ido embora. Talvez

fossem noturnas; talvez seguissem as marés. Naquele momento, isso não parecia fazer diferença.

O mar era enorme, encontrando o horizonte num enevoado ponto

azul que era impossível determinar. Por um longo instante, em sua con-templação, o pistoleiro esqueceu a agonia. Nunca vira tamanha extensão

de água. Ouvira falar nela nas histórias infantis, é claro, e os professores —

pelo menos alguns — garantiam que existia, mas ver aquilo de verdade, aquela imensidão, aquele prodígio de água após anos de terra árida, era

difícil de aceitar... difícil até mesmo de ver.