A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 154 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— Isso é normal. Quero dizer, é…

— Isso é normal. Quero dizer, é normal porque nós somos reais, não

importa o que esteja pensando.

Ela dispensou-lhe um sorriso indulgente. Com o mais extremo ar de

descrédito.

— Como aconteceu? — perguntou ele. — Essa coisa na sua cabeça.

— Não importa. Estou apenas lembrando que o que aconteceu uma

vez pode muito bem acontecer de novo.

— Bem, era só curiosidade.

— Fui atingida por um tijolo. Era nossa primeira viagem para o

norte. Fomos para a cidade de Elizabeth, em New Jersey. Fomos no vagão

de Jim Corvo.

— Jim Corvo?

Ela o olhou com ar de descrença, quase de desprezo.

— Onde você tem vivido, Eddie? Num abrigo contra bombas? — Sou de um tempo diferente — disse ele. — Posso perguntar qual

é a sua idade, Odetta?

— Sou velha o bastante para votar e não velha o bastante para

depender da assistência social.

— Bem, acho que isso me coloca no meu lugar.

— Mas gentilmente, eu espero — disse ela, mostrando o mesmo

radiante sorriso que tinha feito os braços de Eddie formigarem.

— Tenho 23 — disse ele —, mas nasci em 1964... o ano em que

você estava vivendo quando Roland a pegou.

— Isso é bobagem.

— Não. Eu estava vivendo em 1987 quando ele me pegou.

— Bem — disse ela após um instante. — Pensar assim certamente

tem muito peso em sua alegação de que isto é de fato realidade, Eddie.

— O carro de Jim Corvo... não era onde os pretos tinham de ficar? — Os negros — disse ela. — Chamar um negro de preto é um tanto

rude, não acha?

— Por volta de 1980, era assim que vocês chamavam a si próprios —

disse Eddie. — Quando eu era criança, chamar um garoto preto de negro podia custar uma briga. Era quase como chamá-lo de crioulo.

 

Por um momento, ela o fitou intrigada, depois balançou resignadamente a cabeça.