A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Estou respirando, pensou Roland. Terei de voltar…
Estou respirando, pensou Roland. Terei de voltar e me mexer. Mas pri-
meiro há coisas a fazer. Coisas...
Soltou-se da mente do prisioneiro e recuou, observando, esperando
para ver se o prisioneiro sabia se ele estava ali ou não.
Quando parou de vomitar, Eddie continuou curvado sobre o vaso, com
os olhos apertados.
Me deu um segundo de branco. Não sei o que foi. Será que olhei em
volta?
Tateou à procura da torneira e abriu a água fria. Com os olhos ainda
fechados, molhou o rosto e a testa.
Quando não pôde mais adiar, tornou a erguer os olhos para o espelho. Seus próprios olhos estavam lá de novo.
Não havia vozes estranhas em sua cabeça.
Nenhuma sensação de estar sendo observado.
Você apagou momentaneamente, Eddie, advertiu-o o eminente sábio e
grande viciado. Um fenômeno não incomum em alguém que está ficando
com fissurinha.
Eddie olhou para o relógio. Uma hora e meia até Nova York. A ater-
rissagem do avião estava prevista para as 4h05, horário da Costa Leste,
mas na verdade seria ao meio-dia. Pela hora do seu relógio.
Voltou para a poltrona. A bebida estava na bandeja. Tomou dois
goles e a aeromoça voltou para perguntar se ele precisava de mais alguma
coisa. Abriu a boca para dizer não... e então houve mais um daqueles
estranhos momentos de branco.
— Eu gostaria de comer alguma coisa, por favor — pediu o pistoleiro pela
boca de Eddie Dean.
— Vamos servir a refeição quente daqui a...
— Estou realmente morrendo de fome — disse o pistoleiro com
perfeita sinceridade. — Qualquer coisa serve, até um popquim...