A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Por um momento Roland pensou simplesmente em deixá-lo ir.
Poderia encontrá-la, talvez até encontrá-la viva, não ferida demais,
ainda reconhecível. Quem sabe Eddie e Odetta não estariam executan-
do uma manobra decisiva? Talvez o amor de Eddie por Odetta e o dela
por ele conseguissem de alguma forma reprimir o pesadelo que se cha-
mava Detta Walker. Sim, colocada entre os dois, era possível que Detta
fosse simplesmente espremida até a morte. Apesar de seu modo rude,
Roland não deixava de ser um romântico... e acreditava que às vezes o
amor realmente consegue tudo. E quanto a ele? Mesmo que conseguisse
obter no mundo de Eddie os medicamentos que quase o haviam curado,
talvez os remédios já não pudessem fazer efeito, talvez já não pudessem
curá-lo nem melhorar seu estado. Ele estava agora muito doente e suspei-
tava que as coisas já houvessem chegado longe demais. Seus braços e
pernas doíam, a cabeça latejava, o peito estava pesado e cheio de catarro.
Quando tossia havia uma dolorosa sensação de atrito do lado esquerdo,
como se as costelas tivessem se quebrado. A orelha esquerda flamejava.
Talvez, pensou ele, seu tempo estivesse realmente chegando ao fim; a
saída se fechava.
Nesse ponto, alguma coisa dentro dele se levantou em protesto.
— Eddie!— gritou ele, e dessa vez não houve tosse. O tom foi pro
fundo e enérgico.
Eddie se virou, um pé na terra nua, o outro apoiado numa beirada
saliente de rocha.
— Vá em frente — disse Eddie, fazendo um curioso e curto gesto de
varredura com a mão, um gesto que dizia que ele pretendia ficar livre do
pistoleiro para cuidar de seu verdadeiro problema, o problema importante,
o problema de encontrar Odetta e resgatá-la se fosse preciso. — Está tudo
bem. Atravesse sozinho e pegue o que está precisando. Nós dois vamos
estar aqui quando você voltar.
— Duvido muito.
— Preciso encontrá-la. — Eddie olhou para Roland e seu olhar
pareceu muito jovem e completamente desarmado. — Quero dizer, eu
real mente preciso.
— Compreendo seu amor e sua necessidade — disse o pistoleiro —,
mas dessa vez quero que venha comigo, Eddie.