A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 109 de 274

Páginas do PDF

A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— A caminho da Torre Negra —…

— A caminho da Torre Negra — disse o pistoleiro sorrindo — tudo

é possível.

Outro abalo fez o corpo de Eddie se mexer. Ele ergueu a cabeça de

Henry, beijou uma das faces frias, cor de cinza, e pôs a relíquia manchada de sangue cuidadosamente de lado. Ficou de pé.

— Tudo bem — disse. — Não tenho mesmo mais nada planejado

para hoje à noite.

— Vista isso — disse Roland, entregando-lhe as roupas. — Ponha

pelo menos os sapatos. Cortou os pés.

Na calçada do lado de fora, dois policiais usando protetores faciais

de acrílico, ombreiras e coletes investiram contra a porta da frente do Nossa Torre Inclinada. No banheiro, Eddie (usando a cueca, os tênis Adidas e nada mais) passou as amostras grátis de Keflex para Roland,

uma por uma, e Roland colocou-as nos bolsos do jeans de Eddie. Quan-do estavam todas em segurança, Roland tornou a passar o braço direito em volta do pescoço de Eddie e Eddie tornou a agarrar a mão esquerda

de Roland. De repente a porta estava lá, um retângulo de escuridão. Eddie sentiu o vento daquele outro mundo tirar da testa seu cabelo sua-do. Ouviu as ondas rolando pela praia pedregosa. Sentiu o gosto azedo

do sal marinho. E a despeito de tudo, de toda a sua dor e tristeza, quis de repente ver aquela Torre da qual Roland falava. Quis muito vê-la. E com Henry morto, o que haveria para ele no mundo do lado de cá? Seus

pais haviam morrido e ele não tinha uma namorada firme desde que entrara pesado no pó, três anos atrás — só uma sucessão de rameiras, viciadas e cheiradoras. Todos pirados. A foda da piração.

Passaram, Eddie inclusive um pouco na frente.

Do outro lado, Eddie foi subitamente tomado por novos tremores

e terríveis cãibras nos músculos — os primeiros sintomas de uma séria

privação de heroína. E juntamente com isso teve as primeiras alarmadas

hesitações.

— Espere! — gritou. — Quero voltar um minuto! Na mesa! Na

mesa dele ou na outra sala! A heroína! Se estavam mantendo Henry droga-do, a coisa tem de estar lá! Heroína! Eu preciso dela! Preciso!

Olhou com ar de súplica para Roland, mas a cara do pistoleiro estava

impassível.