A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 67 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Mas Henry nunca o chamou disso na…

Mas Henry nunca o chamou disso na cara, pensou Eddie. Não, claro que

não. Chamar Jack de alguma coisa na cara dele seria um maravilhoso meio

de conseguir morrer. Era um sujeito enorme, com a testa projetada de um

homem das cavernas e um maxilar saliente combinando com ela. Era paren-

te de Enrico Balazar por casamento... uma sobrinha, uma prima, uma porra

qualquer. As mãos gigantescas aderiam ao volante da van de entregas como

as mãos de um macaco agarradas num galho. Grossos tufos de cabelo lhe

saíam das orelhas. Eddie agora só podia ver uma daquelas orelhas, pois Jack

Andolini permanecia de perfil, sem nunca olhar para o lado.

O Duplo-horror. Mas nem mesmo Henry (que, Eddie tinha de ad-

mitir, nem sempre era o cara mais perceptivo do mundo) jamais cometeu

o erro de chamá-lo de Dupla-estupidez. Colin Vincent não era mais que

um prestigiado menino de recados. Jack, contudo, tinha suficientes

neurônios atrás da testa de Neanderthal para ser o capanga número um

de Balazar. Eddie não gostou do fato de Balazar ter enviado um homem de

tamanha importância. Não gostou nada mesmo.

— Oi, Eddie — disse Col. — Soube que teve um problema.

— Nada que eu não pudesse superar — disse Eddie. Percebeu que estava

coçando um braço depois do outro, um dos típicos movimentos de viciado

que tentou tão arduamente controlar enquanto esteve detido. Fez força para

parar. Mas Col estava sorrindo e Eddie sentiu uma enorme vontade de chapar

um punho até o fundo daquele sorriso (e saindo pelo outro lado). Talvez

tivesse mesmo feito isso... se Jack não estivesse lá. Jack continuava com os olhos fixos à frente. Parecia ruminar pensamentos rudimentares enquanto

observava o mundo sob uma simplicidade de cores primárias e movimentos

elementares, que era tudo que um homem com seu intelecto (assim a pessoa

pensaria, olhando para ele) poderia perceber. Eddie, no entanto, achava que

Jack via mais num único dia que Col Vincent em toda a sua vida.

— Bom — disse Col. — Que bom.

Silêncio. Col olhava para Eddie, sorrindo, esperando que Eddie re-

começasse a Dança da Fissura, coçando, se apoiando ora num pé, ora no

outro, como um garoto que precisasse ir ao banheiro. Col esperava que

Eddie perguntasse o que estava acontecendo e se, por acaso, não tinham

alguma coisinha para ele tomar.