A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— E quanto custa uma caixa? —…
— E quanto custa uma caixa? — Seria mais que sessenta dólares, ele
achou, mas o homem poderia ser persuadido a lhe vender parte de uma
caixa, ou...
— Dezessete e cinqüenta — disse o balconista. — Mas, senhor...
Jack Mort era contador e desta vez não houve espera; tradução e
resposta vieram simultaneamente.
— Três — disse o pistoleiro. — Três caixas. — Bateu na fotograff
das balas com um dedo. Cento e cinqüenta tiros! Pelos deuses! Que louco
depósito de riquezas era aquele mundo!
O balconista não se mexia.
— Não tem tudo isso... — disse o pistoleiro, não parecendo real-
mente surpreso. A coisa era boa demais para ser verdade. Um sonho.
— Ah, claro que sim, tenho balas de Winchester 45 a rodo. — O
homem deu mais um passo para a esquerda, ficando ainda mais perto da
caixa registradora e de sua arma. Se o sujeito fosse maluco, a qualquer
momento o balconista poderia ter acesso aos segredos da cabeça dele. Logo
seria um maluco com um buraco extremamente grande no meio da testa.
— Tenho munição de 45 até a tampa, mas o que preciso saber é se o
senhor tem porte.
— Porte?
— Um documento com foto que lhe permita portar uma arma. Não
posso lhe vender munições se não puder me mostrar um. Se quiser
comprar munição sem um porte de armas, terá de ir até Westchester.
O pistoleiro ficou atônito, encarando o homem. Para ele, aquilo não
passava de uma tagarelice absurda. Ele não estava entendendo nada. Seu
arquivo Mort tinha uma vaga noção do que o homem queria, mas as
idéias de Mort a esse respeito eram vagas demais para serem dignas de
confiança. Mort jamais possuíra uma arma em toda a sua vida. Fazia o
trabalho nojento sem precisar de armas.
O homem deu outro passo furtivo para a esquerda sem tirar os olhos
do rosto do freguês e o pistoleiro pensou: Ele tem uma arma. Acha que vou
causar problemas... ou talvez esteja querendo que eu cause
problemas. Quer uma desculpa para atirar em mim.
Improvise.