A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Capítulo 11
Chegaram a um considerável afloramento de rochas quando o sol indica-
va cerca de 11 horas e ali pararam por quase uma hora, aproveitando as
sombras enquanto o sol não atingia o alto do céu. Eddie e o pistoleiro
comeram as sobras da matança da noite anterior. Eddie ofereceu uma
porção a Detta, que de novo recusou, dizendo que sabia o que eles que-
riam fazer e, se queriam mesmo fazer, era melhor fazê-lo com as mãos
nuas e parar de tentar envenená-la. Esse, ela disse, era o modo covarde.
Eddie tem razão, refletiu o pistoleiro. Esta mulher construiu sua pró-
pria cadeia de memórias. Sabe tudo que lhe aconteceu ontem à noite, embora
estivesse profundamente adormecida.
Detta acreditava que tinham lhe trazido pedaços de carne que cheira-
vam a morte e a podridão. Para zombar dela enquanto os dois comiam
bife salgado e bebiam alguma cerveja dos cantis. Acreditava que, de vez
em quando, tinham lhe oferecido bocados de seu próprio jantar, retiran-
do-os no último instante, quando ela tentava agarrá-los com os dentes... E
riam fazendo isso, é claro. No mundo (ou pelo menos na mente) de Detta
Walker, os Brancos Putos só faziam duas coisas às mulheres negras: estuprá-
las ou rir delas. Ou as duas coisas ao mesmo tempo.
Era quase engraçado. Eddie Dean vira um bife pela última vez du-
rante sua viagem na carruagem aérea e Roland não via nenhuma carne
desde que consumira o último pedaço de seu charque, só Deus sabia há
quanto tempo.
E quanto à cerveja... Roland jogou suas memórias para trás.
Tull.
Houvera cerveja em Tull. Cerveja e bife.
Meu Deus, seria bom ter uma cerveja. Sua garganta doía e seria bom
ter uma cerveja para amortecer a dor. Melhor até do que a asmina do
mundo de Eddie.
Distanciaram-se um pouco de Detta.
— Não sirvo pra companhia de rapazes brancos como cês? — rosnou
ela atrás dos dois. — Ou quem sabe cês num tão preferindo brincar um
pouquinho cum a velinha um do outro?